<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908</id><updated>2011-08-02T21:25:05.479-07:00</updated><category term='democracia'/><category term='arguidos'/><category term='verão'/><category term='religião'/><category term='tuga'/><category term='portuga'/><category term='brandos costumes'/><category term='discurso'/><category term='realidade alterada'/><category term='chico esperto'/><category term='curiosidade'/><category term='ficção'/><category term='comunicação'/><category term='variação'/><category term='cultura'/><category term='vigarista'/><category term='blogoesfera'/><category term='malabarista'/><category 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href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-6295609553584120018</id><published>2010-09-17T09:08:00.000-07:00</published><updated>2010-09-17T09:15:40.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blog'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preguiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cliente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='visita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curiosidade'/><title type='text'>Um restaurante sem clientes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Um blog sem comentários é como um restaurante sem clientes. Quem é que lá se quer sentar sozinho? Se eu não tivesse metido um contador de visitas nesta página, eu teria a sensação de aqui entrar num deserto. Ou de viajar para uma estrela morta há milhões de anos, mas cuja luz ainda está a chegar à terra. Eu sei que carrego a maior parte da culpa, ao não cometer aqui com regularidade. Tenho obrigação de sabê-lo. Mas é assim que se fazem as espirais: não tenho feedback ao que aqui ponho, menos vontade tenho de cá voltar, os leitores esquecem, mesmo os mais "fiéis", e eu pergunto "para quê?". Um escritor sempre tem a publicidade do lançamento do livro, mesmo que publique só em ano de olimpíadas. Mas, se escreve, é porque tem, pelo menos, a sensação de que vai interessar alguém. De preferência, alguéns. E tem filtros para o saber: editores que aceitam partilhar a responsabilidade, leitores incondicionais, que também podem desincentivar e poupar a humilhação. Lançar garrafas com mensagens ao mar, é uma imagem romântica. Mas, para além da analogia, escrever para não ser lido, deve ser das coisas mais frustrantes que eu possa imaginar. Como fazer um filme e ninguém o querer ver, ou compôr música que ninguém quer editar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O que aqui deixo é o que me parece interessante, polémico, engraçado. Só por dinheiro é que escrevo o que não me interessa. E mesmo assim, não tarda que comece a achar algum interesse. É como as cerejas. E, se algumas das minhas afirmações podem ser polémicas, isto é, a contra-corrente da ideologia dominante, eu trabalho bastante para aduzir argumentos que expliquem a postura. Alguns dos textos que por aqui vou deixando, deram muito trabalho a pesquisar, a estruturar, a arredondar. Alguns não ficam no tinteiro porque há muito que me deixei de caligrafias, mas dormem na pasta dos meus documentos, porque, muitas vezes, eu acho que perderam oportunidade, ou que não cheguei ao ponto a que queria chegar. Isto não seria impeditivo se eu tivesse a certeza de que os meus leitores (hum!) entendessem a imperfeição das coisas e estivessem disponíveis para participar. Muitas vezes, acho que não estão. Por falta de tempo, por preguiça, pela cultura de café que definitivamente se perdeu. Não sendo por isso que perco a vontade, na ausência de resposta, eu sei que também é por isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Já me disseram que eu vou muito longe nas questões, o que pode dar a impressão de que não deixo margem para "discussão". Não concordo: eu acho que, independentemente da forma, ou do conteúdo, há sempre espaço para rebater, para acrescentar um ponto e relançar a coisa. Se eu escrevo "mata", fico à espera que alguém responda "esfola!". O facto de eu não alimentar o mito do aquecimento global, dos pastéis de Belém, da bondade intrínseca das pessoas, do amor filial, da infalibilidade da autoridade, não deveria fazer deste blog um local a evitar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A maior parte dos blogs serve para o autor se confessar, protestar, achincalhar, alimentar uma personagem. Para além do desejo de partilhar conhecimento, e "dar a ver". Mas em (quase) todos eles se aprende alguma coisa: basta haver curiosidade. E a estrutura enciclopédica da internet proporciona as viagens mais fabulosas que se poderiam imaginar. Algumas vezes deparo com questões que nunca me tinham passado pela cabeça. Dali, vou à procura de informação que complemente ou rebata o que acabei de ler. Por vezes, um simples "nunca tinha pensado nisso" é muito gratificante. Muita gente gosta de ser surpreendida, felizmente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Não sei há quantas entradas é que eu deixei de surpreender os visitantes (hum!) desta página. Ou de lhes dar vontade de voltar. Eu não quero acreditar que as pessoas estejam tão agarradas à actualidade de um blog, que se substancia quase unicamente na data da publicação, que não encontrem curiosidade de navegarem pelos outros posts cujos links se podem encontrar na coluna à direita, nesta página. Basta um clique. Mas receio que isso possa ser verdade. Também receio que muita gente não "consiga" chegar ao fim de um texto correspondendo a 3 páginas A4. É verdade que os blogs mais frequentados são os que publicam mensagens curtas, um poema, uma foto, dois parágrafos, uma boca. É uma forma de estar. Não é a minha, porque acredito que há outros espaços para esse tipo de comunicação. Nomeadamente, as redes sociais. Mas aceito que isso possa ser mais um erro meu. Assim como continuar a achar que comer é &amp;nbsp;(também) um acto eminentemente social, e não me apanham sozinho, à mesa de &amp;nbsp;um restaurante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-6295609553584120018?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/6295609553584120018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=6295609553584120018' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6295609553584120018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6295609553584120018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/09/um-restaurante-sem-clientes.html' title='Um restaurante sem clientes'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-962188155825745507</id><published>2010-09-07T11:22:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T13:54:42.149-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espectáculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-da-fé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='democracia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='condenados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vítimas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casa Pia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arguidos'/><title type='text'>Foi por bem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No fim de uma novela, o mínimo que eu posso esperar, é que se esclareçam todos os mistérios que me foram servidos ao longo de uns milhares de episódios diários. Chama-se a isso, o "desatar dos nós". E tem de acontecer num romance, num filme, numa anedota, numa notícia. Se não acontecer, o espectador/leitor vai dar por muito mal empregue a disponibilidade e a atenção dispensadas, o tempo gasto, e a credulidade suspensa, com o objectivo de ser surpreendido, entretido, e de aprender alguma coisa. Na vida real, também. Eu quero saber porque é que o mau é mau, porque é que fez o que fez às vítimas, que proveitos daí tirou, como é que foi descoberto (investigação) e desmascarado, e como é que é castigado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Disse, e repito, que só aqui trato de espectáculo. Seja ele qual for. E seja qual for, também, o protagonista que se exponha. Neste caso, é o da justiça (onde incluo tribunais, e seus agentes, assim como polícias e legisladores) já que ela se expôs ao ridículo de uma péssima novela, enredo (plot) ruim, narrativa incompetente e com final altamente duvidoso. E ocupo-me disto porque acho que a justiça é um protagonista fundamental da democracia. E, como à mulher de César, não lhe basta parecer séria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Neste enredo (plot), em que o protagonista é o próprio autor e narrador (com uma grande ajuda, é certo, de toda a comunicação social, mais do diz que diz, e os recados de outras personagens da estória - assim escrito para não se confundir com qualquer memória colectiva), as causas têm de produzir consequências, e a moral da comunidade tem de sair reforçada. Ou abalada por transformações revolucionárias. Estas são as regras. É isto que o público espera e precisa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O espectáculo da justiça não deveria confundir-se com um espectáculo de circo, a César o que é de César (outra vez?), portanto há coisas absolutamente proibidas, como prestidigitação, malabarismo, contorcionismo (para o que é fundamental uma coluna vertebral muito flexível), passes de mágica e funambulismo. Mas também a "mão de Deus" (já que isto também não é futebol), mais conhecida como "deus ex-machina". Mais os acasos e as coincidências.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Muito menos, as crenças.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O narrador até pode reter alguma informação para criar suspense. Mas no fim, vejam-se os romances do Poe, ou os filmes do Hitchcok, tudo tem de ser explicado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ou fomos enganados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Saber que os acusados foram condenados até pode servir de catarse às vítimas. Dou isso de barato. Mas não passa de um enredo paralelo (sub-plot) e marginal. A isso, eu chamo espírito de vingança, e ficou bem explícito nos comentários de Catalina Pestana, à saída da leitura da "sentença": "Para nós (ela e mais quem? A instituição Casa Pia? As vítimas?), o caso termina hoje e aqui". Como quem diz (assim o interpreto eu), "já temos o que queríamos".&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Isto não tem nada a ver com justiça.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A justiça (com ou sem maiúscula) só se justifica nos resultados que produz em prol da comunidade. O seu espectáculo tem de cumprir certos protocolos, e não se compadece com finais apressados e incompletos, só para cumprir um calendário: o dia da leitura da "sentença" coincidiu com o aniversário da primeira queixa relativa ao caso Casa Pia (em 2001) e que o desencadeou. Este caso não se pode cingir a uma efeméride. Compreendia que assim fosse se a justiça estivese de conluio com a astrologia, por exemplo. Mas seria um expediente narrativo manhoso: uma maquilhagem para desviar atenções.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Do que sabemos, até agora, a "satisfação" das vítimas foi o único objectivo atingido, após milhões de euros dos contribuintes (mal) gastos numa montanha que pariu, afinal, um rato. Dois anos para chegar a conclusões daquelas? Pior que a construção de uma auto-estrada, ou de um Centro Cultural de Belém. Os autores só podem ser profundamente preguiçosos e incompetentes, já que o suspense não produziu qualquer surpresa. E não me venham com a treta da "pobreza" da administração da justiça (vulgo tribunais): os emolumentos que pagamos porque sim, e por dá cá aquela palha, devem dar para muitas fotocopiadoras, e para pagar horas extraordinárias (se forem necessárias) a muitos "operadores e técnicos de reprodução" (de documentos, claro).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E não se pode remeter as conclusões de uma história destas para as sequelas (Casa Pia 2, Casa Pia 3, e seguintes). Ou pode? Também pensei nessa possibilidade (é que não seria caso virgem: a quantidade de coisas - compromissos comerciais, promessas eleitorais - adiadas para próximas núpcias e legislaturas, é o pão nossa da nossa desdita). A ler o desfecho anunciado à luz das técnicas da narrativa ficcional, eu teria tendência a pensar que este não é o final imaginado, aqui só termina o segundo acto, e que o que foi feito, foi feito de propósito (mal) para ser (reviravolta dramática) corrigido na instância seguinte: os desembargadores da Relação vão, de qualquer maneira, anular esta decisão da 8ª Vara (por incompetente). Mas a justiça já terá "sido servida" às vítimas (3 de setembro de 2010), e justiça "será servida" (de qualquer forma) aos arguidos (formalmente mal) condenados, na Relação, num futuro mais ou menos próximo. Para mais, e não para menos, como já nos habituaram.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Apostava singelo contra dobrado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E não faltarão umas almas caridosas a justificar: "Foi por bem", como aquele rei (não me apetece ir googlar para saber qual) apanhado com a boca na botija, no engate descarado de uma aia da&amp;nbsp;raínha (vide Sala das Pegas, do Palácio da Vila, em Sintra).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Também apostava que todos os intervenientes estão conscientes disto. Mas o espectáculo exige que se agitem, que se façam ouvir, que o conflito tente chegar a um clímax. É o momento próprio, no fecho do segundo acto, transição para o terceiro. E quem é que fica bem em todos estes cenários? A justiça, claro! Mas não porque deu um espectáculo credível, de instituição confiável, para todos nós. E sim porque construiu, à nossa custa, uma imagem que só a beneficia a ela, onde mostra que comete erros, mas também os corrige. Sem benefício colectivo. Estilo burocracia, que se sustenta a si própria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E o pior é que muitos espectadores (os fanáticos do circo romano e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;indefectíveis&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;dos autos da fé públicos) nem se dão conta do quanto foram, e continuam a ser, intoxicados e hipnotizados para engolirem um desfecho destes. Dos outros, se fosse num teatro, o mais certo era levarem (os autores e actores) com apupos e mais armas de arremesso que aqueles apanhassem à mão. E não me refiro só aos protagonistas da justiça. Incluo neste elenco, toda a comunicação social, e mais intérpretes do poder instituído.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Já não bastam os governos, as empresas públicas, o comércio em geral, o Tesouro, as televisões, a tratarem-nos como menores? De idade e mentalidade? Não esqueçamos que os tribunais, palco da justiça, são órgãos de soberania. Mas que não os elegemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Pobre democracia! Triste espectáculo!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-962188155825745507?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/962188155825745507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=962188155825745507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/962188155825745507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/962188155825745507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/09/foi-por-bem.html' title='Foi por bem'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-2297480104858814503</id><published>2010-07-27T16:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T16:43:49.688-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='enredo. conflito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estação morta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motivação'/><title type='text'>Silly Season</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TE9uLnvHXuI/AAAAAAAADbY/G78uwMg-rEM/s1600/IMAG0481tris.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="208" src="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TE9uLnvHXuI/AAAAAAAADbY/G78uwMg-rEM/s320/IMAG0481tris.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O céu está azul, sem uma nuvem no horizonte. A brisa marítima leva a poluição, e ameniza qualquer veleidade de canícula. O mar rebenta (rebenta?) na areia, só ali onde se molham os artelhos. A agulha do barómetro nem treme, em bom tempo fixo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Vamos falar de quê?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Se alguma coisa houvesse para aprender com o equilíbrio das temperaturas interna e externa do corpo, com o subtil enchimento de uma ligeira depressão atmosférica, com um ar desprovido de monóxidos vários, escritores e cineastas não se dariam ao trabalho de inventar enredos cabeludos, motivações estrambólicas, conflitos mortais. Ficariam, aliás, sem trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Não se situa uma cena de filme sob um céu de anil, a não ser na imensidão ondulante das dunas do deserto, nos canais secos de Los Angeles, ou na catinga da seca nordestina. O sol tem de ser abrasador, o calor tem de ser sufocante, o vento tem de trazer areia, o fumo dos incêndios de verão, o trovejar das ondas descontroladas, a rolar, toda a noite, nas rochas ocas das furnas. Ou o cheiro nauseabundo da laguna. Sem isso não há drama.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Até quando batem leve, levemente, pois se há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho, se não é chuva, nem é gente, é para se ficar preocupado, certamente. Sem esta tensão (suspense) de entrada, quem ligava ao Augusto Gil?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sem drama não há história, notícia, ou conversa. Não se gasta tempo, e dinheiro, numa cena em que não acontece nada. Gente feliz não existe na ficção, ou na comunicação social, em geral, a não ser para provocar inveja. Aí, sim: já temos drama!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Falamos de quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-2297480104858814503?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/2297480104858814503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=2297480104858814503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/2297480104858814503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/2297480104858814503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/07/silly-season.html' title='Silly Season'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TE9uLnvHXuI/AAAAAAAADbY/G78uwMg-rEM/s72-c/IMAG0481tris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-3572464013245839626</id><published>2010-07-20T18:05:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T18:40:27.206-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='casamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='allez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beira-mar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='emigrante'/><title type='text'>Allez, allez!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TEZSKrvvM-I/AAAAAAAADbQ/ol08hklkqAQ/s1600/Mimis_006.361131040_std.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="170" src="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TEZSKrvvM-I/AAAAAAAADbQ/ol08hklkqAQ/s200/Mimis_006.361131040_std.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;102º Fahrenheit. O papel queima a 451, a clara do ovo frita a 153, e a gema a 172, o que torna possível estrelar um ovo em papel, antes deste arder. Pelo que sinto, não é preciso tanto para fritar mioleira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Nestes dias de canícula, além de uma geladinha, de vez em quando, o que mais falta são T.shirts de algodão fino para empapar a transpiração. 3 por 5 euros. Mas, por toda a Beira Alta, parece que a única roupa que se consegue comprar é a de cerimónia: para noivas, noivos, padrinhos, damas de honor, pais da noiva... É um desafio à lógica: colarinhos apertados, saias a arrastar pelo chão, casacas de abas de grilo. Ah, e coletes. A indústria do casório não vai de férias, no verão. Quem vem de férias, são os emigrantes. E é por isso que é agora que se juntam as courelas, e resolvem as alianças de família, quando estas se reunem, uma vez por ano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;As ruas abarrotam de Renaults, Peugeots e Citroens de matrículas francesas, suíças e alemãs. Onde houver um espaço, nem que seja dentro das muralhas do castelo, montam-se as tendas para os copos de água, em sessões contínuas. O estrado para a música é sempre o mesmo: por aqui desfilam todos os aspirantes a Quim Barreiros, porque o som preferido é o do bacalhau com alho, espécie de receita regional para a boa disposição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A gente vai entrando, por entre o pessoal em delírio, a despedir-se do casalinho. Salada de orelha, azeitonas, pão de centeio, pastéis de bacalhau já frios... O tintol é carrascão genuíno, com aroma indisfarçável a bagaço.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Por entre as lágrimas que vai limpando com as costas da mão, a megera não se deixa enganar pelos nossos calções Columbia e as sapatilhas poeirentas. As T.shirts também já estiveram mais frescas, logo de manhã.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Vous êtes des amis à Pascal? Responde-se "hum, hum" com um ligeiro maneio de cabeça, que é sinal de assentimento universal. Até porque o pastel de bacalhau ainda enrola na boca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ó Manel, estes são lá de Aubervilliers. Allez, allez, traz o Champagne. O verdadeiro!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Partindo do princípio que Pascal é o noivo que acabou de se evadir deste carnaval, com ar de gringos e um francês impec, já somos amigos de infância. Chega o Taittinger, gelado, e mais dois pratos de cozido, ainda quente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Se os restos hão-de ir para os porcos...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-3572464013245839626?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/3572464013245839626/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=3572464013245839626' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/3572464013245839626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/3572464013245839626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/07/allez-allez.html' title='Allez, allez!'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/TEZSKrvvM-I/AAAAAAAADbQ/ol08hklkqAQ/s72-c/Mimis_006.361131040_std.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-4810865502082456376</id><published>2010-06-29T10:00:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T10:08:10.582-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='libertação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fascismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poder'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Vida de artista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Há profissões que mais vale disfarçar, de tal maneira vivem (mal) no imaginário das pessoas. Um (outrora) afamado publicitário francês, de seu nome Jacques Séguéla, chegou a escrever um livro que intitulou "Não digam à minha mãe que trabalho na publicidade, ela julga que toco piano num bordel". O livro não vem ao caso, e do Séguela, eu devo ser uma das três pessoas que se lembram dele, incluindo a mãe. É claro que há muitas "classes" de artistas, e hoje, até um jogador de futebol pode ostentar com orgulho a profissão, desde que jogue na primeira divisão, participe em competições europeias ou guie um Ferrari. Quando deixa de jogar, que é um acontecimento corrente ainda dentro dos prazos de validade para muitos artistas, é que a porca torce o rabo: "ex-futebolista" não é ocupação para ninguém! Ou será só para alguns.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Em regra geral, um artista é um artesão multi-disciplinar, o que torna a etiqueta ainda mais difícil. Um violinista que componha, mesmo depois de ser "executado" em público, ou editado em CD, vai continuar a confessar-se violinista, para facilitar as coisas. Um instumentista, em princípio, para o ser, está integrado numa orquestra, está obrigado a horários colectivos, recebe um estipêndio (mais o menos) regular. Um violinista sem orquestra, ou é uma vedeta internacional, ou é só mais um artista. Tal e qual como o futebolista.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Venho de uma linhagem de artistas. O meu avô, casapiano, entrou para o Real Conservatório de Música aos 13 anos, e acabou a tocar trombone na banda da Guarda Municipal de Lisboa. Também pintava umas paisagens, mas isso era normal, antes da invenção da televisão. Quando faleceu, aos 46 anos, deixou viúva e quatro filhos ao deus-dará. O mais velho, o meu tio João, foi trabalhar, aos 16 anos, para sustentar aquilo tudo. Foi boxeur, e acabou como pianista em ambientes enfumados e ruidosos. Não propriamente como o Séguéla, mas não andava longe. O facto de ainda hoje se cantarem, e tocarem, algumas marchas de Lisboa que compôs em parceria com a minha tia Manuela, não lhe garantiu um fim de vida brilhante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;As minhas duas tias, Teresa e Júlia, foram cantoras da rádio (continuamos na era pré-televisão) e chegaram a ser vedetas em capas de revista. O meu pai era um excelente pianista e chegou a acompanhá-las. Ele foi o único que andou na universidade. Licenciou-se matemático, engenheiro geógrafo, e em física, mais propriamente, geofísica, e iniciou uma brilhante carreira científica que durou até a ditadura ter desbaratado (em 1948-1949) todos os grupos organizados de estudo e reflexão, ter obrigado ao desemprego, ao exílio, e até preso, nomes fundamentais da ciência portuguesa, seus companheiros das Gazetas de Matemática, e outros fundadores da Sociedade Portuguesa de Matemática (Zaluar Nunes, João de Freitas Branco, Bento de Jesus Caraça, entre outros). Foi ensinar. Pouco tempo depois, já nem no ensino oficial podia trabalhar. Valeu o Liceu Francês Charles Lepierre. Até ao fim. Mas, apesar de excelente pedagogo, e de persistir na memória de centenas de alunos dele, a sua grande paixão foi a pintura. Presente em inúmeras colecções particulares, e em alguns museus (CAM, Museu do Chiado, Abade de Baçal, etc), premiado em Bienais, bolseiro da Gulbenkian, dirigente anos e anos a fio, da Sociedade Nacional de Belas Artes, continuou, até ao fim (aos 47 anos) a ser professor: só é pintor num meio muito restrito. E eu entendo isto muito bem. Premiado várias vezes como o melhor realizador de filmes publicitários, com filmes premiados em festivais, e não só de publicidade, com um currículo longo (nos anos) de actividade no mundo genérico do espectáculo, enquanto dei (acessoriamente) aulas no curso de cinema da Universidade Moderna, quando me perguntavam o que eu fazia, respondia automaticamente: sou professor! O problema era se me perguntavam "de quê".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Mesmo no cinema, existem profissões confessáveis: director de fotografia, engenheiro de som, editor (cá, diz-se montador), electricista, decorador. Mas estou em crer que é só uma questão semântica: um director continua a ser um director, mesmo que não se saiba de quê; um engenheiro, idem! É como quando alguém se confessa médico: para a maior parte das pessoas é mais do que o suficiente. Se trata de crianças, de malucos, ou de cataratas, a questão é de somenos. Como um advogado. Ou o tal engenheiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Se alguém tem a coragem de se confessar pintor, o mais normal da vida é perguntarem-lhe do que é que vive, como é que sustenta a família.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Eu concordo que ser realizador de cinema, em Portugal, como na maior parte dos países do mundo, não é uma profissão estável. Nem chega a ser uma profissão. É mais um "hobby". Tal e qual como a pintura. Porque a remuneração é errática, porque a ocupação é mais do que precária. Acordemos que é artesanato. E realizador de sucesso é como futebolista: tem prazo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Hawks e Ford recebiam ordenado dos estúdios para "dirigir" os filmes que lhes mandavam dirigir. Pegavam às 9 e saiam às 7, depois de meter na lata x cenas por dia, aquelas que a produção estimava necessárias para garantir o respeito do orçamento e dos seus (deles, produtores) lucros. A nova geração (Lucas, Coppola, Spielberg) são produtores, donos ou accionistas de estúdios. Mesmo que (alguns) vivam na montanha russa, só são realizadores de vez em quando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ser realizador E produtor, é uma esquizofrenia delirante: enquanto o produtor tudo faz para conter os custos dentro dos limites do orçamento, o realizador quer, exige, mais e mais, para garantir a glória da obra. Mesmo quando se trata de uma encomenda. É uma luta sem quartel. Ó vida difícil!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tirando as encomendas fechadas, são raros os produtos audiovisuais que se pagam a si próprios. Necessitam de uma enorme panóplia de acessórios, merchandising, contratos leoninos de distribuição, etc. Um produto audiovisual é cada vez menos um produto comercial por si só: é mais um suporte publicitário, um veículo promocional, uma parte de campanha, uma montra de talentos, um catálogo de muitas coisas. E, por isso, o produtor é cada vez mais um funâmbulo, um malabarista, com mais bolas no ar do que as que consegue ter na mão. É um pedinte, um vendedor de sonhos. E é o realizador que lhe garante a concretização dos sonhos dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A indústria de conteúdos, da cultura, como se diz agora, representa qualquer coisa como 3 por cento do PIB europeu, e (sub-)emprega cerca de 5 milhões de pessoas. Mais do que a indústria automóvel. Mas ninguém tem vergonha de se confessar soldador na Auto-Europa. Mas são aqueles "artistas" que nos garantem a evasão, e a vivência de experiêncas que a nossa curta vida não nos permite viver. É um serviço social que abarca muitas áreas, da educação à saúde mental, essencialmente porque a arte questiona as fantasias. Devemos-lhes muito. E é por isso que fico piurso quando leio e ouço chamar parasitas, chulos, e outros mimos, aos que optaram por uma vida aos trancos, sempre difícil, que eu sei, para garantir os sonhos. Os deles, e os dos outros. Lembro-me, sempre, de Goebbels, ministro da propaganda de Hitler:  “quando ouço a palavra cultura, saco logo da minha pistola”. Para mim, é fascismo primário. O poder receia o conhecimento e a cultura, porque são meios de libertação. E por isso, mesmo em sociedades ditas democráticas, tudo faz para controlar o financiamento da dita cultura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-4810865502082456376?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/4810865502082456376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=4810865502082456376' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/4810865502082456376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/4810865502082456376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/06/vida-de-artista.html' title='Vida de artista'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-5359948979965832628</id><published>2010-06-18T09:07:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T09:25:57.380-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inteligente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saramago'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cunhal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='singular'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='discurso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Da utilidade das efemérides. E dos mitos!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;No dia da morte de Saramago, "arrumaram-se" uma série de coisas que por aqui andavam, há uns dias, aos tralhos: foi o aniversário da morte de Cunhal, no dia de Sto.António, o dia de aniversário do meu pai, e, possivelmente, algumas outras recordações, que nos atristam e alegram, mas que não vêm aqui ao caso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;As efemérides existem porque existe comunicação social: nós (já) não temos memória para tanta coisa. E se servem para vender papel, têm, também, um (papel) importante na formação da memória colectiva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Conheci Cunhal na gravação de um tempo de antena, numa campanha eleitoral de que já não me lembro. Quando digo que o conheci, quero dizer que travei conhecimento pessoal, entre quatro olhos (os meus e os dele), com intercâmbio oral de palavras e conceitos, porque eu sabia, há muito tempo, quem ele era: eu andava a fazer a 4ª classe quando ele fugiu de Peniche, mas essa recordação está bem viva na minha memória. Nesse tempo, não estávamos (in)formados pela televisão, e este tipo de factos eram veiculados por pessoas que nos mereciam o maior respeito e credibilidade: pai, irmão mais velho... Sem conhecer os pormenores, não duvido que essa fuga, certamente maquilhada, na minha imaginação, com os floreados românticos das leituras de Salgari, perdurou, durante a minha adolescência, como um ícone da liberdade, da resistência, da independência e da coragem. Assim se fazem os mitos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Voltando ao tempo de antena "histórico", eu tinha sido informado que o camarada chegaria a tal hora ao estúdio, gravaria o que tinha a gravar para o programa, e sairia no menor prazo possível. Isto queria dizer que tudo deveria estar pronto para a gravação quando ele chegasse: o tempo do camarada estava minuciosa e rigorosamente contado. E assim aconteceu. No fim da gravação, fomos à "régie" visionar a coisa, e aí se deu o "conflito". Eu não estava preocupado com o que o camarada poderia ter dito, já que não me passaria pela cabeça que ele não soubesse o que tinha a dizer. O que me "preocupava" era a imagem do camarada. Eu trabalhava em publicidade, e essa preocupação era permanente. E, neste caso, primordial. Gelei quando vi que, apesar da preparação cuidada do cenário, da captação do som, e da luz, não tivera tempo de acertar alguns pormenores. A coisa tinha sido "despachada" sem ensaios nem repetições, e a luz, correctamente afinada para uma pessoa "normal", esbarrava na proeminente arcada supraciliar do Cunhal, e não lhe chegava aos olhos. Resultado: os olhos do camarada estavam encovados num buraco escuro, e mal se viam. Anunciei que teríamos de repetir. A reacção do camarada foi pronta: "Porquê? Eu disse alguma coisa errada?" Que não, expliquei-lhe. "Ah bom. Se é para ficar mais bonito, não vale a pena." E foi-se embora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Fiquei piurso. E queixei-me ao Comité Central, mais concretamente à Informação e Propaganda: não punha em questão a autoridade do camarada em matéria de conteúdos, mas na imagem dele, quam mandava era eu! Não sei o que lhe disseram, mas no dia seguinte, o camarada veio sentar-se ao meu lado, à mesa do refeitório, e perguntou-me que camisa é que havia de vestir para o comício dessa tarde. É evidente que ele sabia muito bem que camisa é que ia vestir, mas este "pedido de desculpa" fechou o conflito, e abriu portas até aí fechadas a cadeado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Nos dias que se seguiram, houve várias conversas em que nunca se falou de política, mas sim de cinema, de arte em geral. Era, no mínimo surpreendente que uma pessoa que eu julgava que vivia em estado de (quase) clausura (tanto no sentido figurado, como no real) tivesse visto (ao vivo) tanta coisa, e se tivesse debruçado sobre elas com tanta profundidade. Eram coisas que lhe davam prazer. Eu lembrava-me do meu pai a explicar-me, menino, o "Pedro e o Lobo", de Prokofiev, "A história do soldado", de Stravinsky, ou as manchas coloridas que compunha na tela sempre presente no cavalete. E falava-me de Braque, de Gauguin. Isto é, a história é sempre colectiva. Mas é na maneira de a vermos, e de a usarmos, de a exprimir, de nos apropriarmos dessa experiência, que nos tornamos singulares. Como Saramago a contar a história de Joana Carda, ou de Baltasar Mateus, o Sete-Sóis. Ele é dos 3, o que tinha as emoções e sentimentos mais próximos da boca. Ouvi-o, mais do que uma vez, no hotel Vitória, em entrevistas, a exprimi-los, por desagrado ou satisfação, com a preocupação visível do rigor, na escolha dos termos e da forma, sem receio de que alguma singularidade, sinal inequívoco de independência, pusesse qualquer lealdade em questão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;As pessoas transformam-se na comunicação. Um contador de histórias, um professor, um milongueiro, ganham vulto com a quantidade de pormenores úteis carreados para a conversa/texto. O conhecimento, a memória, a maneira de ligar os factos, a precisão dos termos, são factores de encantamento para o ouvinte, para o leitor. Acho que disto, ninguém tem dúvida. E não é só uma questão enciclopédica, nem semântica: o entusiasmo, o prazer do contador transmite-se de forma contagiante e envolve o discurso, que ganha uma carga fantástica (de fantasia).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Eu penso que ninguém adquire conhecimento só por curiosidade: o desejo de partilha está sempre presente. Porque é da partilha que se tiram, provavelmente, os maiores dividendos, como o tal "encantamento" do interlocutor/leitor pelo que é, evidentemente, singular. Este retorno é, talvez, o melhor prémio do curioso. Não será por acaso que uma das coisas com que Cunhal mais engalinhava (no âmbito da "nossa" colaboração), era a banalização do(s) seu(s) discursos(s) pela comunicação social, a chamada "cassete", que é, talvez, a invenção mais redutora de um discurso que possa haver: filme-se um candidato em campanha eleitoral nos seis comícios em que discursa durante o dia. Monte-se a mesma passagem da intervenção em cada um dos seis comícios, umas mais cansadas, roucas, ou titubeantes que outras, e aí temos a "cassete" a ser difundida para milhões de telespectadores. É merdoso, é propositado, é terrorista, porque visa concretamente anular o encantamento dos espectadores, por ser chato, por ser pateta, e, daí, destruir a imagem do protagonista. Mas é, muitas vezes, a paga que se recebe por uma atitude inteligente. E singular. E independente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-5359948979965832628?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/5359948979965832628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=5359948979965832628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/5359948979965832628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/5359948979965832628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/06/da-utilidade-das-efemerides-e-dos-mitos.html' title='Da utilidade das efemérides. E dos mitos!'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7727197920177323569</id><published>2010-05-21T04:57:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T05:09:06.729-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='truque'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidade alterada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manhoso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sócrates'/><title type='text'>Arte e prestidigitação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Já aqui disse que não trato de política. Mas, o espectáculo dessa mesma política merece toda a minha atenção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O espectáculo é uma noção vasta, que abarca actuações interpretativas, acções complicadas, narrativas fantásticas. O espectáculo transporta-nos para novos mundos, tanto reais, como especulativos, e é essencial para nos abrir os horizontes, para nos transmitir experiências alheias que dificilmente podemos viver. O espectáculo é a expressão da criatividade, da imaginação, do virtuosismo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Na relação com o "cliente", espectador, ouvinte, leitor, o artista tem algumas obrigações. E a mais importante, a meu ver, é o cumprimento do contrato tácito que se estabelece neste tipo de troca: um filme (anunciado como) policial, não pode (não deve) vir a revelar-se uma comédia romântica; um romance da Isabel Allende não deve (não pode) parecer uma prosa do Paul Auster; quem vai ao circo, quer ver palhaços, acrobatas, leões e tigres; quem paga para assistir a um jogo do Benfica, quer vê-lo a vencer; quem vai ouvEr uma ópera ao S.Carlos, espera, pelo menos, uma interpretação tão boa quanto as que vê no canal Mezzo; ninguém vai a um restaurante japonês com vontade de mãozinha de vitela com grão. O incumprimento destas (e de muitas outras) obrigações, provoca desilusão e descrença. E é mau para todos, artistas e "clientes": quem assiste a uma encenação patética de teatro, enquanto se lembrar não se desloca a outra; quem ler um mau romance, não se precipita para a livraria para comprar outro (romance). A confiança do "cliente" levou muitos séculos de cultura a conquistar, e perde-se em meia hora de intervenção televisiva. Por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Outra obrigação contratual tem a ver com o anúncio claro e inequívoco do mundo para onde o artista nos pretende transportar. Esse mundo tem de ser caracterizado para que o "cliente" se presdisponha a aceitá-lo, e assim, suspender momentaneamente a (sua, dele, cliente) credulidade. Isto é uma coisa que todos os paizinhos e mãezinhas bem sabem. Quase todas as histórias, que começam com "era uma vez", se passam num mundo distante com castelos, cavaleiros e princesas, ou no tempo em que os animais falavam, ou no tempo dos dinossauros, do qual, todos sabemos, não sobrou nenhum para contar como foi. Mas também pode ser num planeta distante, onde as condições de vida humana são inviáveis, e teremos de transmitir a NOSSA informação para um corpo indígena, para aí poder sobreviver, enquanto o nosso corpo permanece, vazio de energia, em qualquer arca congeladora. E nós (clientes), estamos prontos a aceitar todas estas realidades alteradas, desde que apresentadas de forma aceitável e plausível. Suspensão momentânea da credulidade. Durante hora e meia, papamos daquilo, no escurinho do cinema (Rita Lee). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quando não há caracterização específica do mundo que estão para nos "vender", é tácito, e óbvio, de que é do NOSSO mundo que se trata. Os códigos de leitura são claros: estamos no mundo da interpretação da realidade em que vivemos: é a representação figurativa da natureza que nos rodeia (ar para respirar, os campos são verdes e o céu é azul), existe um deve e um haver, nem sempre equilibrado, os amigos são para (nos) apoiar, e os adversários são para levar. Branco é branco (Demis Roussos), preto é preto, os bandidos roubam, os polícias prendem-nos (a eles, bandidos). É por isso que, se o mundo não for este, temos de ser avisados, preparados, elucidados. Os mundos alternativos "têm" de ser anunciados, e, em muitos casos, basta o conhecimento do nome do artista para que uma das exigências do contrato esteja cumprida: a pintura de Picasso É do Picasso, os filmes do David Lynch SÃO do David Lynch, só lá vai quem quer, e sabendo que não é com os códigos universais que pode dialogar com aquele artista: vai ter de descobrir os códigos próprios, que, pelo seu (dele) lado, o artista incluiu na obra para esse fim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Outra regra fundamental, é evitar qualquer sensação de estranheza ao espectador, ouvinte, leitor. Quando fez Blade Runner, Riddley Scott utilizou uma técnica a que, posteriormente, se chamou "retrofitting", para caracterizar o mundo do futuro em que decorre a história de Phillip Dick: utilizou o ambiente, cor, guarda-roupa dos filmes negros dos anos 40 e 50. É um mundo "conhecido", mas não "vivido" pela maior parte dos espectadores dos anos 80. Não causa, portanto estranheza. Isto, para chegar ao ponto de que é necessária uma grande ligação à NOSSA realidade, para impingir uma OUTRA realidade. Isto, também toda a gente sabe. Não é por acaso que o povo diz "com a verdade me enganas". Eu prefiro Orson Welles, outro grande prestidigitador, quando diz que é preciso incluir muita verdade numa grande mentira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas, qual fada má, melga chata, pulga maldita, eis que um erro técnico na narrativa, uma interpretação deficiente, uma caracterização pobre, o relógio no pulso de um soldado de Alexandre, a expulsão do jogador vedeta, nos acorda daquela hipnose: NÃO DÁ PARA ACREDITAR! E acabou o espectáculo: faltam 20 minutos para o fim do jogo, e a equipe já não se aguenta nas canelas, quanto mais virar um resulado de 0 - 3! Ou está toda fechada na defesa, a defender o empate. É o NÃO espectáculo!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quero eu dizer com isto que não basta uma boa interpretação para nos fazer acreditar num espectáculo: há muitos outros parâmetros, e a definição do mundo (daquele mundo) não é dos menos importantes. Se não, vejamos: o nosso primeiro ministro presenteou-nos com uma prestação televisiva merecedora do óscar para "male leading role". Eu não tenho dúvidas sobre isso. E também não tenho dúvidas que se pretendia que fosse um espectáculo: houve um primeiro acto em que os "adversários" se estudaram, luvas de pelica, sem interrupções, só sorrisos e palmadinhas nas costas, permitindo que cada um delimitasse o seu (dele) território. Mas também houve conflito, ou o espectáculo dele: tentativas, quase sempre tímidas, mas valendo-se do conhecimento que o telespectador tem da "agressividade" entrevistadora da Judite Sousa (faz parte da meta-realidade, como o alho, e o azeite, no bacalhau), para que o artista convidado fosse obrigado a ir por outro caminho. É outra regra da ficção (eu disse ficção?): quanto mais malvado for o antagonista, mais heróica será a tarefa do protagonista. Diria que todos os obstáculos, todos os empecilhos colocados na frente do primeiro, foram inúteis: ele deu cabo de todos. Aliás, outra coisa não seria de esperar. Quem monta um espectáculo, e não o controla, só pode ser incompetente. Realizador que se preze, não mete num filme cenas com que não concorda, ou que não contribuam para o entendimento da história. Um pintor só usa as cores que o façam vibrar; usar outras, seria ceder a modismos. E os exemplos são infinitos. Ulisses pode, assim, vencer os obstáculos com modéstia e alguma humildade. E, no terceiro acto, aquele onde se desatam os nós e põe os nomes aos bois, ele regressa a Ítaca, ao encontro de Penélope, como justo vencedor, referência moral da comunidade. THE END.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;THE END, nada! O argumentista desta história meteu uma valente patada! Onde está a caracterização do mundo alternativo que o nosso primeiro nos quis vender? Não dei por nada. Eu pensava que ele nos estava a situar na NOSSA realidade. Afinal, e não mencionado, estávamos era num mundo que muda em 3 semanas, onde não há erros sistémicos de governação, onde o protagonista é surdo a críticas, e cego a sinais de alarme, onde se negoceiam, sequestram e chantageiam as dívidas soberanas dos estados europeus. Um mundo onde todos são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros. Onde os bancos não são PMEs, nem grandes empresas, nem como o comum dos mortais, porque lhes perdoam uma fatia importante dos impostos. Onde se vão guardando trunfos na manga para poder negociá-los, em seu tempo, com os adversários, quiçá com o espectador, leitor, ouvinte. Este argumentista é um pantomineiro. À mulher de César não lhe basta parecer honesta. Por muito simpático que seja um vigarista (condição sine qua non), se o apanharmos, destempadamente, com a mão na caixa das esmolas, temos o direito, e o dever, de corrermos com ele à pedrada e ao pontapé!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7727197920177323569?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7727197920177323569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7727197920177323569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7727197920177323569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7727197920177323569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/05/arte-e-prestidigitacao.html' title='Arte e prestidigitação'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8376134786204593621</id><published>2010-02-08T08:48:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T08:54:52.588-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nine'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='variação'/><title type='text'>A vida dos outros</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não me tinha passado pela cabeça aqui tratar de filmes ou de cinema, em geral. Tenho, dos filmes, uma visão muitas vezes rígida e tecnicista, o que incomoda os meus amigos. Seria, para mim, muito difícil escrever crítica, já que ando sempre à procura do filme ideal, e, na maior parte das vezes, não o encontro. A fasquia está sempre colocada muito em cima.&lt;br /&gt;E um filme pode ser "ideal" de muitas maneiras: ou porque a história está bem contada, ou porque o espectáculo montado me faz esquecer tudo o resto. Ou os dois, em conjunto.&lt;br /&gt;Parto sempre para os filmes em estado de suspensão de credulidade, como é de regra: estou sempre pronto a aceitar o novo mundo que o realizador me apresenta, e, se ele me quiser convencer de que os animais falam, eu acredito. E vou acreditando enquanto não houver uma solução de facilidade, um truque manhoso, ou uma cedência a qualquer moda imposta pela indústria ou pelo comércio. A partir daí, a credulidade acabou. Vou contando os erros, estou mesmo à espera deles. E já não é de um espectáculo que se trata, mas de uma competição: sou, ou não sou mais esperto do que ele? Eu acho que esta, também é uma forma de gostar de cinema: a aprender com os erros dos outros.&lt;br /&gt;O que me levou aqui a falar de cinema, foi ter começado a ver um filme chamado Nine. Digo começado, porque após os primeiros minutos parei de ver. Na minha distracção, não sabia que tinha sido feito um filme inspirado no musical da Broadway, por sua vez inspirado no 8 ½ de Fellini. Tudo o que sabia é que ia ver um filme com argumento de Anthony Minghella (O Paciente Inglês, Cold Mountain, Breaking and Entering), um realizador muito prometedor que morreu cedo demais.&lt;br /&gt;Apesar de ser a cores, o filme abre com uma cena a preto e branco, e logo ali aparece 8 ½, não há nada escondido: Daniel Day-Lewis a fazer de Marcello Mastroianni, que faz de Fellini. Um actor inglês a falar a sua língua materna, com o sotaque do actor italiano, que fala inglês. A composição da imagem não deixa dúvidas, e o guarda-roupa é passado a papel químico. Nem poderia deixar de ser, já que 8 ½ ganhou o óscar de melhor guarda-roupa: um filme que conta a história de outro filme, teria de respeitar esse contexto historico.&lt;br /&gt;8 ½ é o perfeito filme de ficção: ao retratar um mundo que existe na realidade, ele escapa dessa realidade e entra, por portas e travessas, naquela fuga de Guido atravé de Roma, a Roma das noites frenéticas e madrugadas vibrantes, numa nova realidade composta pelos sonhos e fantasmas de Guido. Os sonhos nunca chocam de frente com a realidade, mas são diferentes. E a fuga tem a ver com aquilo que a realidade espera de Guido, mas que ele duvida que lhe consiga dar. É, portanto, um filme eminentemente autobiográfico, em que Fellini se encena a si próprio no corpo e imagem de Marcello Mastroianni. E autobiográfico como um currículo, onde se enaltecem umas coisas, e se omitem outras: já estamos no domínio da ficção. É a construção de uma identidade que não existe na realidade. Somos aquilo que fazemos. E há quem diga que somos tão bons quanto a última coisa que fizemos. Mas podemos sempre dar a ver, aos outros, uma imagem diferente daquela que o espelho nos devolve.&lt;br /&gt;E, sem desprimor para o filme Nine, que só verei depois (não faço a mínima ideia se presta ou não), eu parei, confuso, a pensar que direito (sem contexto jurídico) é que um qualquer realizador, escritor, compositor, usa as identidades, sonhos e fantasmas de outro qualquer? É que não se trata de uma variação sobre um tema de Fellini. Uma variação pega num tema, numa frase, numa melodia, e desenvolve-a, se o "variador" achar que tem alguma coisa a acrescentar àquela fonte de inspiração. Isto é velho como o mundo. Aqui, trata-se de uma coisa completamente diferente. 8 ½ poderia ser um monumento de pedra numa sala de museu. Podemos andar à volta dele, observar pormenores de mais perto, usar lupas, se for preciso, ver o que não tinhamos visto numa visita anterior, mas não lhe podemos acrescentar nada. Podemos pintá-lo, claro. Iluminá-lo de outra forma. Mas não lhe podemos colar um braço extra. Até podemos cortar qualquer coisa para o fazer caber em outros espaços. Mas isso já é uma amputação. Não é possível acrecentar, ou alterar seja o que for à visão que outro tem de si próprio, ou da sua própria vida. Os psicanalistas fazem-no, é verdade. Mas não cobram bilhetes.&lt;br /&gt;Nine não pode ser uma revisitação de 8 ½, pois 8 ½ não é um local, nem uma época que possam ser frequentados. Então, é o quê? O que é que 8 ½ tem de imperfeito para que se sinta, hoje, vontade de o aperfeiçoar? E fica a pergunta da maior perplexidade: se 8 ½ é um produto vendável, porque não exibir o original, de vez em quando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8376134786204593621?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8376134786204593621/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8376134786204593621' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8376134786204593621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8376134786204593621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/02/vida-dos-outros.html' title='A vida dos outros'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8264093877329766364</id><published>2010-01-04T07:58:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T13:13:34.093-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brandos costumes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='uniformizado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chico esperto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='razão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desculpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vigarista'/><title type='text'>On nous prend pour des cons</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;margin-top: 6pt; line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"   style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A expressão de alguns sentimentos muito primários, sobretudo os mais virulentos, nem sempre encontra a melhor forma. A manifestação da indignação está estreitamente dependente &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height:150%;font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;da nossa educação, isto é, condicionada para não ferir a susceptibilidade dos outros. Eu acho isto fantástico: por esta ou aquela razão, sentimo-nos enganados, roubados, violentados, e a expressão da nossa indignação não deve ferir a susceptibilidade dos outros, sobretudo a do chico esperto que nos incomodou! Se houver melhor definição para brandos costumes, escrevam‑me, por favor.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height:150%;font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Por outras palavras, a nossa reacção a uma acção que nos prejudica, não deve/pode estar à altura do referido acto; a nossa indignação não deve/pode extravazar os limites da boa educação e da decência, vide dos bons-costumes: não se deve/pode chamar ladrão a quem nos mete a mão no bolso; mentiroso, a quem nos afronta despudoradamente com factos manipulados; vigarista, a quem pretende alterar o sentido da nossa conversa/atitude... e assim por diante. Mas devo confessar que tenho a maior admiração por certos artistas que conseguem imputar-nos o ónus das próprias malfeitorias. A forma mais corrente de o fazerem é isolarem um facto que mais não fez do que provocar a saturação de atitudes repetidas, passando uma esponja sobre o passado, como se ele não existisse, como se ele não tivesse algum peso específico, e reduzindo o pomo da discórdia a um incidentezinho sem importância. É um facto que isto funciona para plateias &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;desprevenidas. Lembro-me do proprietário de uma tabacaria onde costumava comprar cigarros, só porque era a mais próxima de casa, que, mais vezes do que seria razoável, não conseguia completar o troco: "desculpe, fico a dever-lhe cinco tostõezinhos". O que nos ficam a dever é sempre expresso com diminuitivo. Um dia, em que eu não devia estar no melhor dos humores, o homem quis ficar a dever-me um escudo. Respondi‑lhe que, com tantos tostões que ele já me devia, talvez fosse a minha vez de ficar a dever-lhe os cigarros. O que é que eu fui dizer!!! "Olhó pinderico! A discutir por um escudito! Onde é que já se viu!". Isto, em voz suficientemente alta para despertar a atenção de alguns amigos que conversavam à porta da loja. Evidentemente, eu não tinha uma declaração de dívida por todos os tostões que ele me sonegava nos trocos, portanto, a minha pretensão nunca procederia &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em tribunal. Perante" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;em tribunal. Perante&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; um júri, ele teria várias testemunhas de que eu tinha feito um escândalo por uns trocos a menos, e, como acontece nos aviões, até me poderia tornar agressivo, vide perigoso, o que é um pretexto para tudo e mais alguma coisa, até para levar uns sopapos ou ser detido preventivamente até me passar a raivinha, e eu ficaria, na melhor das hipóteses, com a minha cara de parvo. É para isto que servem os brandos costumes: para que os chicos espertos se aproveitem da (boa?) educação, da timidez e da insegurança dos outros: &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;on nous prend pour des cons!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não sei explicar muito bem porquê, mas "querem comer-nos por parvos" não tem a mesma profundidade, a mesma virulência; parece mais sofismado; e é, parece-me, menos "injurioso". É, portanto, mais "brando". E é isso que esperam de nós: que sejamos mais brandos! A ditadura queria que fossemos brandos, que não exprimíssemos virulentamente a nossa indignação; isto é, nada de manifestações de rua a clamar slogans de protesto; nada de clamar contra as iniquidades do regime porque, quem reclama, ou é mal-criado, ou é comunista. Aos mal-criados, dá-se uns tabefes; os comunistas, trancafiam-se para não poluirem o bom ambiente. Dizer que sim sempre foi muito mais fácil do que dizer que não.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Dizer que não é muito complicado. Melhor, dizer que não tornou-se extremamente complicado. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sempre achei que devia haver uma boa razão para não se ter feito uma revolução cívica da mentalidade dos portugueses. Com o fim da ditadura, houve todas as oportunidades para explicar às pessoas quais os seus direitos e quais os seus deveres. Essa campanha nunca foi feita. Havia uma imensa ganga de falsos critérios a povoar a mentalidade da maior parte dos portugueses. Um deles, era "comer e calar". Hoje, dá muito jeito. Não pretendo comparar coisas que não podem, nem devem ser comparadas: hoje, não impera a ditadura do silêncio, da manipulação dos factos, do medo de ficar sem emprego... Não? Bem, deixem-me por a coisa doutra maneira: hoje, ninguém vai preso por dizer mal do governo. Até porque toda a gente diz. Do silêncio passou-se à cacofonia, e o que se diz perdeu muito peso específico. As vozes da contradição não chegam ao céu. Por isso é que há uma comunicação mediada por profissionais: só os "técnicos" da política, da economia, da forma de dar as notícias, etc, é que têm espaço e tempo nos meios de comunicação social para chegar a todos os outros. São os especialistas. E é a opinião deles que "deve" influenciar a nossa forma de ver as coisas. Uniformizar. E quando uma opinião está uniformizada, bem podemos clamar do alto das torres sineiras que, entre outras coisas, o rei vai nu, que (quase) ninguém nos dispensará a menor atenção. E se dispensarem, é para chamarem a polícia.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nesta conjuntura, não é difícil comerem-nos por parvos.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Toda a gente anda a tiritar, os gelos do Polo estão a consolidar-se, a temperatura do planeta pouco aumentou nos últimos 150 anos, mas parece que o aquecimento global vai dar cabo da gente: os combustíveis fósseis, cuja queima provoca efeito de estufa, não poderão mais ser queimados; vamos ter de migrar para combustíveis mais sofisticados, portanto, mais caros; as classes médias e baixas vão ter de apertar ainda mais o cinto; os países em vias de desenvolvimento não se poderão industrializar e ficarão cada vez mais devedores das grandes potências, em termos de energia e de produtos manufacturados. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;E anda tudo acagaçado: com o fim do mundo, com pandemias de gripe, com a falta de liquidez... E quem anda acagaçado, dificilmente tem estamina para mandar vir. Nem para perguntar por que carga de água é que o metano, que provoca muito mais efeito de estufa do que a queima dos combustíveis fósseis, não é proscrito também, nem sequer é mencionado. É que o metano é produzido pelos peidos dos animais de criação que, depois, consumimos na forma de bife. Cortem-nos a carne e tereis uma revolução entre mãos, deve ser o que eles pensam.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;On nous prend, vraiment, pour des cons.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:6.0pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT"  style="line-height: 150%;  font-family:Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Posto assim, até parece o estribilho de uma canção de Georges Brassens. Os franceses têm outra forma de reagir a certas contrariedades. Isto, traduzido à letra, seria “inaceitável” &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em português. Se" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;em  português. Se&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; chamarmos filho da puta a um meliante que acabou de nos sacanear, perdemos a razão pela forma como protestamos. Chamar os bois pelos nomes não é uma arte portuguesa. Se nos excedermos na nossa reacção, revertemos o ónus da acção que nos prejudicou. Em português, a “forma” condiciona os factos. Uma reacção branda pede uma resposta branda. Isto é, uma reacção “educada” pede desculpas. A coisa fica por ali, e a gente limpa-se às desculpas. A honra está salva. E os brandos costumes, também. Não há ninguém com mais desculpas na ponta dos lábios do que os chicos espertos. É uma moeda de troca muito barata. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8264093877329766364?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8264093877329766364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8264093877329766364' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8264093877329766364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8264093877329766364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2010/01/on-nous-prend-pour-des-cons.html' title='On nous prend pour des cons'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-172781943377124662</id><published>2009-10-23T17:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T18:05:06.704-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indivíduo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='publicidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-ajuda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='modernidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vigarista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Os manuais da cegueira</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;É sabido que qualquer literatura ajuda a suprir uma necessidade num dado momento, ou num certo campo. E por literatura entendo tudo o que se elabore como texto a ser ouvido, lido, em letra de forma ou como sequência de imagens. Conselhos, também são literatura. Estamos, quase sempre, em busca de respostas, de conhecimento mais especializado divulgado por quem, por experiência própria, por capacidade em lidar com situações extremas, nos pode fazer participar em experiências que não poderemos viver. A vida é muito curta para podermos vivê-las todas. A nossa capacidade de associação pode, assim, valer-se de um romance, de um poema, de uma canção, de um filme, de uma conversa com um amigo ou com um profissional, para obter conhecimentos que de outro modo ficariam ignorados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;É sabido, também, que andamos sempre em busca de protecção. E a verdade universal parece proteger-nos contra a insegurança, a perplexidade, a agressividade da sociedade liberal, já que milhões de pessoas juntas não podem estar enganadas. Só que esta verdade consensual e colectiva não é, forçosamente, a verdade de que necessitamos. É a verdade do rebanho. E o rebanho oferece protecção. Daí, o êxito das religiões. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Mas, hoje, vivemos numa época de enfraquecimento das religiões. Depois de termos sido condicionados massivamente a procurar a felicidade obedecendo a preceitos religiosos, hoje estamos perante a oferta da libertação dos padrões como forma de lá chegar. O enfraquecimento deve-se, muitas vezes, ao facto dos mandamentos morais ameaçarem, em vez de consolarem, condenarem, em vez de entenderem, elaborarem uma consciência de culpabilização em que se moldam grande parte dos princípios que deveriam ser representativos da liberdade. É este paradoxo que a chamada "indústria" de auto-ajuda explora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Escrevi "indústria" porque acho que é de "consumo" que estou a tratar: existe uma necessidade, a do indivíduo lançado às feras, perplexo perante a complexidade dos problemas que o afectam, sem resposta para as contrariedades, e, em vez de o "ensinarem a pescar", dão-lhe (ou vendem-lhe, mais precisamente) o peixe. Dá-se-lhe aquilo que ele pode comprar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;É assim que funciona uma sociedade ultra-liberal: a publicidade diz-nos exactamente do que é que precisamos, a indústria coloca-o no mercado, o indivíduo consome, gera-se lucro, e toda a gente fica satisfeita porque o mercado funciona. Não se coloca no mercado o que as pessoas não querem comprar; não se coloca no mercado o que é complexo, difícil de entender: para isso teria de se dar conhecimento e informação às pessoas; não se coloca no mercado o que é saudável, teria custos incomportáveis. Coloca-se no mercado o que é vendável. Ensinar as pessoas a pescar não dá lucro: quem pesca, já não compra peixe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Mas as pessoas não são todas abúlicas. E, por isso, não se consegue vender aquilo em que as pessoas, muito simplesmente, não acreditem. Já viram um vigarista antipático a convencer-vos de uma verdade a que nos oponhamos? Claro que não. Vigarista que se preze tem de ser simpático. E se não conseguir convencer-nos, dá-nos a volta com as verdades que queremos ouvir. É assim na televisão comercial, é assim na publicidade, é assim na literatura dita de auto-ajuda, na comunicação social em geral. Porque se dirije ao maior número possível de "clientes", tem de estar ao nível cultural e emocional da maior parte da massa consumidora: dos 8 aos 88 anos. Entenderam, claro. Não quero dizer que se dirije a um intelecto de oito anos, com o pretexto gritante de que não estamos todos ao mesmo nível de evolução, nivelando por baixo, porque estaria a agredir grande parte dos meus leitores. Concepções contrárias à da maioria são geralmente vistas como uma agressão. E quem se sente agredido, muda-se. Para outro canal, para outro blog, não compra o meu produto, fecha-se nas suas defesas, dispara rajadas de Kalashnikov. Quando adoptamos posturas críticas que contrariam um sentimento comum, corremos o risco de sermos vistos como arrogantes, pedantes, invejosos, desmancha-prazeres... "do contra", mensageiros da desgraça, bruxos! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Hoje, no âmbito do que "queremos ler, ouvir", assiste-se à proliferação de "conselhos" que nos permitem sermos condescendentes connosco, marimbando nas recriminações, ao permitirem que novas formas de ver as coisas tomem o lugar de valores e princípios inculcados por conceitos culturais, familiares ou religiosos, sem a mínima preocupação com os reflexos que isso possa ter na interacção com os outros, ao sabor da filosofia "que se lixem os outros" que estiver na moda no momento: apologia do “umbigocentrismo”, do desprezo total pelos limites impostos pela consciência, e repetições verbais e mentais de falácias impraticáveis, pela mera busca da sensação de bem estar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Theodor Adorno &amp;amp; Max Horkheimer chamaram a atenção para o fenómeno, no contexto do qual se fabrica, segundo eles, um estilo de conduta para os indivíduos que, submetidos à disciplina do racionalismo moderno, necessitam que se lhes diga como cuidar do seu corpo, fazer amigos e valorizar a sua personalidade. Para os autores, o capitalismo enseja o surgimento de movimentos de massa que condicionam as rotinas cotidianas, penetrando no modo como os indivíduos planeiam os seus compromissos, as pessoas sorriem para as outras, escolhem as palavras da conversa do dia a dia e estruturam a sua vida interior, numa tentativa de fazer de si mesmas "um aparelho eficiente e que corresponda, mesmo nos mais profundos impulsos instintivos, ao modelo apresentado pela indústria cultural". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A modernidade desintegrou as representações colectivas e simbolismos comuns que recomendavam a salvação do eu na fusão dos propósitos pessoais com os propósitos da comunidade. O resultado desse processo foi a criação de uma sociedade de indivíduos livres, mas, também, de um conjunto de problemas pessoais que tornou profundamente problemática essa liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Esta prática começou a vulgarizar-se através dos meios de comunicação, ao difundirem um saber de cunho paracientífico, caracterizado nos catecismos sobre como conduzir a vida, nas matérias sobre o potencial humano, nos testes de auto-conhecimento e nos desenhos de perfis psicológicos. As respostas para os problemas de identidade, os recursos para descobrir e explorar os segredos da alma, do corpo e do sexo, as fórmulas para ter sucesso na vida e relacionar-se com as pessoas foram-se tornando mercadoria de consumo de massa, conforme demonstra bastante bem o caso dos livros de auto-ajuda e de banalização primária de conceitos. E há para todos os gostos: desenvolver capacidades objectivas, conseguir sucesso nos negócios, comunicar com as pessoas, conservar o marido, obter auto-estima, saber envelhecer, vencer a depressão, viver em plenitude... E têm a ver, essencialmente, com as dificuldades, surgidas com a abstracção social ocorrida na modernidade, com que o homem comum do nosso tempo convive consigo próprio. Mas também com a explosão das referências morais, explorando a personalidade, superando a descrença em nós mesmos, e levar-nos a constituirmos-nos legitimamente como sujeitos de uma conduta na sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A base é sempre a mesma, como nos métodos religiosos do passado: a salvação é um produto absolutamente individual, que se alcança a partir da própria força do indivíduo. Porém, é necessária uma abordagem nova para o sentimento moderno de que, exactamente por vivermos numa sociedade igualitária, a ideia de que a nossa angústia íntima é desprovida de sentido, é intolerável, e tem a ver com a ansiedade gerada pela ideia de que somos todos iguais, e, portanto, cada um de nós é o único responsável pela respectiva infelicidade. Negando o mundo, negando as pressões sociais, as pressões económicas, as desigualdades gritantes...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Durkheim escreveu que os modernos resolveram correr o risco que advém da promoção de um método individual, subjectivo, que leva a moral a ser apenas o sentimento que cada um de nós tenha. A multiplicação desordenada da experiência e a restrição dos controles morais, provocam em muitos uma desorientação individual diante do mundo, e uma dificuldade em ordenar a vida por conta própria, e desencadeia uma série de questionamentos a que não poderemos responder sem uma ou outra forma de ajuda: "as sociedades que exigem do indivíduo um grau de especialização mais ou menos alto, determinam, pela sua própria natureza, que ele negligencie, ou deixe sem uso, uma grande quantidade de possibilidades existenciais, [conheça] vidas que ele não viverá, papéis que não exercerá, experiências que não chegará a viver e ocasiões que perderá". A isto, os manuais da cegueira respondem: "O indivíduo não deve preocupar-se em mudar a realidade, mas sim a experiência que tem dela ... porque a experiência pode ser manipulada interiormente e, portanto, autocontrolada".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O que existe nos escaparates pode ser, por si só, considerado um sintoma: ajuda pela hipnose, pela auto-hipnose, pela auto-análise e pela meditação; ajuda através da arte curativa dos chineses; auto-ajuda para vencer a ansiedade, a angústia, a dependência de drogas, a violência urbana, o stress e todas as formas de doenças sociais; auto-ajuda pelo tarot; todas as formas de psicoterapia centradas no corpo; todas as técnicas de auto-sobrevivência; auto-ajuda pela cura quântica ou através do Campo de Energia Humana, etc. Isto é o gosto comum?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Li, não sei quando, nem onde, uma entrevista do António Lobo Antunes, em que ele dizia que o papel, a função do escritor, é de fazer ver. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Escritores, precisam-se.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* Leiam Gilles Lipovetsky, "A ERA DO VAZIO: Ensaios Sobre o Individualismo Contemporâneo", "O CREPÚSCULO DO DEVER", "A FELICIDADE PARADOXAL". Tudo à venda na FNAC.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* Leiam "4 ARGUMENTOS PARA ACABAR COM A TELEVISÃO", de Jerry Mander. Ainda há pouco tempo o comprei, pela 4ª vez, na Ler Devagar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* Frequentem: "Literatura de auto-ajuda e modos de subjetivação na cultura de massa contemporânea", de Francisco Rüdiger, em http://www.ufpe.br/eso/revista6/rudiger.html&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;http://inquilinosdoalem.blogspot.com/2007/10/literatura-de-auto-ajuda.html&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* Abram os olhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* Sejam felizes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-172781943377124662?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/172781943377124662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=172781943377124662' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/172781943377124662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/172781943377124662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/10/os-manuais-da-cegueira.html' title='Os manuais da cegueira'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8514954528651444539</id><published>2009-09-21T06:22:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T06:30:11.605-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chico esperto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conhecimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arrogante'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pesporrento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mentira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inútil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='malabarista'/><title type='text'>Do conhecimento inútil I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A invectiva: ó fulano (não vou começar a identificar personagens, sobretudo se estiverem no poder, forem inspectores do fisco, psiquiatras ou mecânicos de automóveis, a diferentes níveis de perigosidade e de sentido de humor) ó fulano, dizia eu, você, que tem o maior conhecimento inútil que eu conheça, diga-me lá por que é que..., será que é para levar a sério? Será para ofender? Ou é simplesmente inveja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que o conhecimento inútil é um ramo abastardado da ciência, da memória, da cusquice, ou de todos eles em conjunto. E é provável que se desenvolva por geração espontânea, como as nuvens de condensação vertical e muito localizadas, provenientes do arrefecimento do ar húmido que se eleva na atmosfera. Aparecem muito depressa, muitas vezes no litoral, sobre uma baía, mas raramente precipitam.&lt;br /&gt;Quando não se sabia por que chovia, faiscava ou trovejava, o pessoal temia que o céu lhe caísse na cabeça, e refugiou-se nas cavernas. Ao primeiro tremor de terra, o tecto (da caverna) caiu-lhes em cima e eles começaram a perceber: é conhecimento de experiência feito. Sentido na pele. Empírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que serve distinguir umas nuvens das outras? Acho que é bom de ver: para saber que roupa vestir quando se sai de casa. Se forem uns cumulusnimbos, altos, multiformes, com zonas cinzento escuro, o mais provável é vir trovoada e bátegas de água. Se forem uns cirrozitos, só provocam sombra, chateiam que estiver na praia, e fica por aí.&lt;br /&gt;A direcção do vento também traz informações fundamentais: se estiver de norte e as nuvens estiverem a sul, podemos sair de corpinho bem feito, que quem leva com a chuva é o pessoal de Sintra, e arredores. Como sempre, aliás. Já a orientação de sul, dizem as estatísticas e a sabedoria milenar dos pescadores que é chuva garantida. Quem viver no litoral, basta olhar para o estacionamento dos barcos de pesca. Se estiverem todos em terra, é porque vem borrasca. Ou porque não vai haver desembarque de produtos ilícitos ao largo (para quem serve, é bom de saber que pode haver carência e os preços de mercado vão disparar).&lt;br /&gt;Quando os carros de patrulha da GNR (ou da PSP) estão todos no estacionamento da esquadra, também pode ser sinal de chuva. Ou porque a vila está cheia de turistas, que podem fazer o que quiserem, portanto não vale a pena por o nariz de fora só para arranjar sarilhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento inútil não conhece limites. Tive um cunhado (apesar de, ao que me disseram, os cunhados serem para toda a vida, ao contrário das mulhers/esposas) que conhecia todas as rotas aéreas e respectivos horários, em todos os aeroportos europeus: nem que fosse a Baku, passando por Esmirna e Tunis, para chegar de Frankfurt a Lisboa, ele não ficava mais de uma hora em trânsito: é preciso é andar. Nem que seja para trás. Eu também já fui do Rio para Frankfurt, em voo nocturno, para depois apanhar outro voo de 3 ou 4 horas para Lisboa, só para abichar um upgrade para executiva. Daqui se depreende que o conhecimento inútil só o é para os outros, porque a nós, serve-nos à perfeição. Há quem conheça a distribuição dos lugares num avião pelo modelo do dito: importante para quem mede mais de um metro e oitenta.&lt;br /&gt;O conhecimento inútil é bom para resistirmos à chicoespertice dos outros. Mas é mau no que toca a gestão de conflitos: o chicoesperto não gosta que se lhe destape a careca e pode reagir de forma intempestiva. Lá se vão os brandos costumes. Daqui se infere que o conhecimento inútil não é universal, nem incita à diplomacia. É bom ter noções de artes marciais. Quem levanta cabelo tem de saber que as posições são para levar até ao fim, seja com um(a) abusador(a), um polícia ou um comerciante. E é bom conhecer os delitos que não acarretam prisão preventiva, para poder resistir legitimamente ao abuso da autoridade: uma vez trancafiados, abusivamente, numa cela do governo civil, mais vale relaxar e esperar pela soltura no dia seguinte. Quem nunca leu a constituição da república portuguesa não sabe que o direito de resistência à autoridade aí está consignado. É uma questão de boa prática democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, perguntarão alguns, o conhecimento inútil é compatível com a chicospertice? Raramente o é, já que se trata de uma arma de defesa e não de arremesso. Esta noção é muito importante na medida em que, muitas vezes, o conhecimento inútil é confundido com cagança, pesporrência, ou até, teimosia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mesmas causas produzindo, muitas vezes, os mesmos efeitos, uma boa base de dados permite elaborar e especular com algum fundamento, e reduz fortemente a ansiedade. Não confundir, como acontece muitas vezes, com adivinhação. Se bem que eu ache que as boas pitonisas e outros cartomantes têm, obrigatoriamente, de ter algum jeitinho destes para juntar factos e malabarar* com eles. Psicanalistas, também. É tudo uma questão de narrativa. Quem quiser contar uma grande mentira, tem de conhecer muitos factos. Ou a mentira não terá bases suficientes para ser credível. Ora, mentira que não seja credível, não é uma mentira, em bom rigor lexical, mas sim uma tentativa patética de enganar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de voltar ao assunto. Interpretem isto como promessa, ou ameaça, à escolha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* procurei a palavra em vários dicionários, e, qual não é o meu espanto, não encontrei. Mas não é óbvio? Se um prestidigitador prestidigita, porque é que um malabarista não malabara? Em francês, está na cara: un jongleur, jongle! Se bem que a palavra portuguesa e a francesa correspondam exactamente à mesma coisa, a francesa é muito menos ofensiva. Dependendo de quem se trate, pode ser, até, apologética.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8514954528651444539?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8514954528651444539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8514954528651444539' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8514954528651444539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8514954528651444539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/09/do-conhecimento-inutil-i.html' title='Do conhecimento inútil I'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8394968505772531130</id><published>2009-09-19T06:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T07:12:52.510-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jangada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='caminho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='portuga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='litoral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pedra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonsa'/><title type='text'>Verão II</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O clima tem destes desencontros com o calendário: depois da fuga dos bárbaros*, o verão regressa com dias de calmaria saariana e temperaturas primaveris. Preenchidas as depressões, o vento mudou-se para outras latitudes e a praia apetece. Pelo menos, a esplanada, que é areia free. Mesmo assim, há uns indefectíveis, fóbicos de ajuntamentos, que desafiam algumas leis do universo, só para terem o quinhão de oxigénio só para eles. Dos outros não reza a história. Gente feliz não desperta curiosidade. Sem desequilíbrios e insatisfações não há motivações. Sem motivação, não há acção. É o que nos ensina a ficção. Rima e é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este verão, os portugueses descobriram que o litoral se está a esboroar e que as falésias não são eternas. Nunca foram. Não está na ordem natural das coisas. Mas este tipo de igno&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;rância militante só indica que o portuga é aventureiro e desafia constantemente a gravidade. O bom senso, também. Quem gosta de gente certinha? Mas desafia-os de uma forma dissimulada, subreptícia, sonsa, até, que isto são muitos anos de cristianismo mesclado de laivos islamitas: quem não quer o melhor de dois mundos? "Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço", sabendo de antemão que é para caminhos ínvios que tal sabedoria nos leva. Orgulhosos, não gostamos de caminhos trilhados, fazendo jus aos versos de  Neruda, cantados por Juan Manuel Serrat:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo pasa y todo queda&lt;br /&gt;Pero lo nuestro es pasar&lt;br /&gt;Pasar haciendo camino&lt;br /&gt;Camino sobre la mar&lt;br /&gt;Nunca perseguí la gloria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ni dejar la memoria&lt;br /&gt;De los hombres mi canción&lt;br /&gt;Yo amo los mundos sutiles&lt;br /&gt;Ingrávidos y gentiles&lt;br /&gt;Como pompas de jabón&lt;br /&gt;Me gusta verlos pintarse&lt;br /&gt;De Sol y grana volar&lt;br /&gt;Bajo el cielo azul temblar&lt;br /&gt;Subitamente y quebrarse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nunca perseguí la gloria&lt;br /&gt;Caminante son tus huellas el camino y nada más&lt;br /&gt;Caminante no hay camino, se hace camino al andar&lt;br /&gt;Al andar, se hace camino, y al volver la vista atrás&lt;br /&gt;Se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar&lt;br /&gt;Caminante no hay camino, sino estelas en la mar (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas palavras de outro "poeta": ... segura e firme não está nenhuma pedra. (Saramago, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Jangada de Pedra&lt;/span&gt;, pág. 12)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* povos no norte e do leste que não foram romanizados. Muito menos islamizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SrTecOeAj0I/AAAAAAAAC2s/JTUHqi1YPDg/s1600-h/jangada+de+pedra.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 321px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SrTecOeAj0I/AAAAAAAAC2s/JTUHqi1YPDg/s400/jangada+de+pedra.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383172031116250946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8394968505772531130?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8394968505772531130/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8394968505772531130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8394968505772531130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8394968505772531130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/09/o-clima-tem-destes-desencontros-com-o.html' title='Verão II'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SrTecOeAj0I/AAAAAAAAC2s/JTUHqi1YPDg/s72-c/jangada+de+pedra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7551866628880809634</id><published>2009-09-15T06:08:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T11:33:05.146-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lixo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bronze'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beira-mar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bárbaros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='praia'/><title type='text'>Verão I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Só se fala do verão quando ele não corresponde às expectativas (vide Hegel e Deleuze: a máquina que funciona é a que está avariada), mas também quando vai terminar. Os sinais disso são mais que muitos e há quem já tenha saudades. Para mim, o verão representa uns cinco a seis meses sem usar meias ou peúgas, quatro a seis semanas de invasões bárbaras, e a lembrança sistemática do privilégio que&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt; é viver à beira mar todo o resto do ano. De praia, não gosto. Vivo suficientemente perto dela para gozar da minha dose de iodo, e a&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;ssumo o risco de ficar só com as extremidades bronzeadas. Estar a tostar, que nem frango no espeto, agora para cima, depois para baixo, não é coisa que me seduza. Até me repugna. Não exibo suficiente&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;mente o resto do corpo para me constranger com a palidez decorrente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;As invasões bárbaras fazem a felicidade do comércio&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt; e acantonam as forças da ordem nas casernas, que turista não é para se contrariar: o comércio não ficaria feliz. Aos bárbaros*, vindos do norte e do leste, tudo é permitido: circulam de carro onde o indígena circula a pé ou de bicicleta, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;transformam ruas e praças em armazéns de sucata, geram filas de espera onde elas não costumam existir, transformam os ecopontos em monturos inestéticos. E, muito pior do que tudo isso, trazem com eles a ganância do comércio (mais ainda) e o aumento dos preços ao consumidor, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;espécie de taxa que nos cai em cima a meio do ano, e que volta a mudar no ano seguinte. Para cima, que para trás, mija a burra. &lt;/span&gt; &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;O bárbaro não se livra, porém, dos hábitos que o caracterizam no resto do ano. O problema é que ele não está familiarizado com as infraestruturas locais e serve-se como quer e como pode. Deve achar que é exótico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;* povos que nunca foram romanizados. E muito menos islamiza&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;dos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/Sq-Yb4f5vqI/AAAAAAAAC2U/xF5kWwqhhvc/s1600-h/Carwash2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 306px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/Sq-Yb4f5vqI/AAAAAAAAC2U/xF5kWwqhhvc/s400/Carwash2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381687684521115298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/Sq-YcktTPEI/AAAAAAAAC2c/VcZzW0x_5kU/s1600-h/CarWashEriceira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/Sq-YcktTPEI/AAAAAAAAC2c/VcZzW0x_5kU/s400/CarWashEriceira.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381687696388471874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7551866628880809634?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7551866628880809634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7551866628880809634' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7551866628880809634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7551866628880809634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/09/verao-i.html' title='Verão I'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/Sq-Yb4f5vqI/AAAAAAAAC2U/xF5kWwqhhvc/s72-c/Carwash2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8473727187573921019</id><published>2009-08-31T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T01:47:37.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinéfilos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pirataria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poder'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='digital'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O Cinema I</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt; 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E do XXI também, já agora, porque ainda não há sinais de falência. Transformações, sim. O cinema mudou muito com o digital, como tudo o resto, aliás, tanto na forma, como nos conteúdos, e, sobretudo, na comunicação com o público. Não quero voltar à velha pecha do encanto da sala escura dos "cinéfilos": há muito tempo que não sinto o menor encanto ou atracção por salas cada vez mais pequenas, onde a legislação não é respeitada quanto à distância entre as filas de cadeiras (as minhas pernas não cabem na maior parte das salas (que saudades do balcão do Império...!), com estofos desconfortáveis (olha as salas do Paulo Branco!), onde paira o cheiro insuportavelmente doce das pipocas (as do Paulo Branco são “pipocas free”, salve-se isso), onde a banda sonora é pontuada por vigorosas mastigadelas, e, sobretudo, onde já não há lugares marcados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Nunca achei que gostar de ir ao cinema era equivalente a gostar de cinema: um não funciona sem o outro, mas a confusão termina aí. Ir ao cinema é um acto profundamente social (há quem vá à missa) que morreu quando acabou o santo sacrifício do intervalo para se fumar um cigarro e ver, e ser visto, pelo resto da companhia. E que simpático era encontrar um(a) amigo(a), ou mesmo um(a) conhecido(a): dava direito a uns minutos de prosa, e quiçá uma combinação para continuar o serão. O mistério da sala escura desvaneceu-se-me completamente, há mais de 20 anos, num cinema de Nova-Iorque, onde se vê o filme com as luzes da sala acesas, para prevenir roubos e assassinatos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Não me vou atardar sobre as transformações tecnológicas, apesar delas estarem na génese da transformação do contacto do cinema com o público. Mal acomparado, eu acho que restringir o cinema à sala e ao grande écran, é mais ou menos como limitar o acesso ao livro à biblioteca pública. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Na sala, a distância da cadeira ao écran é uma distância reverente, assim como a posição sentada a olhar para cima, também é uma posição reverente, o que transforma a imagem no grande écran numa entidade distante, impalpável, superior, inacessível e intocável. Eu acho que era esta sensação que fazia da ida ao cinema uma experiência religiosa: grande parte do mistério residia aí. A metáfora não se limita a isso: toda a indústria repousa sobre essa distância e respeito do público pelos deuses e semi-deuses do panteão: produtores, realizadores e actores. O endeusamento processa-se nas fofocas, e respectiva indústria, na cusquice e no concílio anual dos óscares, e outras premiações, que são, sobretudo, uma grande operação de marketing.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;A televisão estragou um pouco esta reverência: ávida de audiências, ela banaliza a exibição de certos filmes, alterando-lhes, muitas vezes, a forma e o ritmo (estou a referir-me ao “pan and scan” e aos intervalos), dando assim cabo da fama da intocabilidade. Os filmes não foram feitos para serem vistos assim. E a televisão acabou, também, por influenciar a forma como certos realizadores pensavam o cinema que faziam: abuso de grandes planos e formato “clássico”, 4:3, mais conhecido como “quadrado”, já que os televisores não tinham formato panorâmico, para não sofrerem as amputações do “pan and scan”. Aconteceu com Sidney Pollack, falecido no ano passado, que só regressou a formatos panorâmicos no seu último filme The Interpreter, o que não fazia desde Out of Africa. A tecnologia também está a mudar na televisão, e os canais por cabo passam os filmes sem intervalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Depois vieram as cassetes e os DVDs, os videoclubes, o “pay-per-view” e as cópias piratas, e o acesso do público ao cinema mudou radicalmente. Mas mesmo assim continuava tudo mais ou menos contido dentro das filosofias comerciais das “majors” americanas e suas correias de transmissão pelo mundo fora: viam-se os filmes que era preciso promover, presentes nos catálogos de distribuição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Então e os outros?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Fora dos catálogos e dos pacotes de DVDs de clássicos e de cinema paralelo, há uma quantidade enorme de filmes que fazem parte da nossa memória, que nos ensinaram uma pipa de coisas, como certas formas de ver o mundo, e que desapareceram, ou se tornaram inacessíveis. Tal como os livros que os editores já não publicam porque demoram muito a escoar, muitos filmes fizeram a sua época e são arrumados em arquivo morto porque já pouco rendem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Surgiu, então, o Zorro! A internet não é só uma rede de computadores. Por trás deles, ou melhor, na frente deles, está muita gente que considera que, para além das políticas comerciais de editores e distribuidores, existe um mundo que não podemos perder de vista. E, mais uma vez, graças às transformações tecnológicas (codificação digital), toca a publicar “generosamente” tudo (ou quase tudo) o que a indústria nos sonega. É evidente que num mundo sem controle, tudo pode acontecer. Para além desses tesouros desenterrados, também aparecem na net filmes que ainda nem estrearam &lt;st1:personname productid="em sala. Temos" st="on"&gt;em sala. Temos&lt;/st1:personname&gt; pena. Ou não...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;O público perdeu a reverência. Os filmes já não são intocáveis. E os editores e distribuidores só se podem queixar da política de avestruz, por não acompanharem, no comércio, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;a evolução tecnológica. Eu não imagino como é que eles poderão conter o que chamam “pirataria”. No meu entender, este é um conceito terrorista e mentiroso: pirataria acontece quando um produto é duplicado e comercializado sem autorização dos seus proprietários. Baixar um filme na net para o ver, está (mais ou menos) enquadrado dentro das leis europeias da cópia privada. Por isso é que se paga uma taxa destinada a direitos de autor quando se compram materiais virgens de gravação: cassetes, CDs e DVDs. Se em Portugal, ao contrário de muitos outros países europeus, essa taxa não abrange computadores, discos duros, leitores/gravadores de mp3 e/ou mp4, fotocopiadoras e papel de impressão, a culpa não é nossa, é do legislador que não “importou” devidamente as directivas comunitárias. Quem disponibiliza os filmes na net está (abrangentemente) a cultivar a cultura, passe o pleonasma. Quem defende a criminalização, em qualquer circunstância, da cópia de filmes editados em DVD, ou do seu &lt;i style=""&gt;download&lt;/i&gt; na net, está a praticar um acto terrorista, ilegal e de lesa-cultura. Entendam-se com o legislador. Eu tenho a certeza de que não nos importamos de pagar mais uns cêntimos no preço de um computador, de um telemóvel e outros aparatos que possibilitem a cópia digital ou analógica, ou mesmo da mensalidade do acesso à internet, para ressarcir os autores por esta forma de divulgação das suas obras. Não acho que seja assim tão difícil.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-size:78%;"&gt;Falta a questão do PODER. Se é disso que se trata, temos de concordar que “eles” estão a perder o controle. Mais uma vez, temos pena! Ou não...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8473727187573921019?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8473727187573921019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8473727187573921019' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8473727187573921019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8473727187573921019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/08/o-cinema-i.html' title='O Cinema I'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-6279834797292300955</id><published>2009-05-25T08:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T09:37:25.023-07:00</updated><title type='text'>Ainda a verdade da mentira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andava com aquela coisa atravessada, e parecia não querer sair. Agora que foi despejada, podemos voltar à vaca fria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquele joguinho da verdade e da mentira acerca de nós mesmos, pareceu-me uma ideia divertida, à partida. Mas não deu grandes resultados. Acho eu. Dependendo da forma como nos imaginamos, e da plateia de que dispomos, todos nós abrilhantamos, de uma maneira ou de outra, o nosso currículo. Coisas sem a mínima importância transformam-se em função dos interlcutores, e constatamos que eventos que foram, para nós, de grande relevo e emoção, desinteressam por completo os outros. O que, por vezes, se torna uma grande desilusão. É por isso que acho que qualquer biografia é um exercício de ficção: quem conta um conto, acrescenta um ponto. Ou mais. Mas a ficção, ao contrário da realidade, tem de fazer sentido, tem de ser credível para ganhar audiência. Não se criam novos mundos com essa facilidade toda. Continuando agarrado a Orson Welles, para quem uma grande mentira tem de ser construída com muita verdade, vamos lá descascar as minhas nove afirmações e confrontá-las com as (poucas) reacções que receberam. Aqui vai, a pedido de várias famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Não é verdade que tenha ido de avião, para outro país, sem bilhete, sem passaporte, nem muda de roupa. Mas não fui porque corria o risco de arranjar um monte de sarilhos, e acagacei-me. Estive dentro do avião, e podia ter ido. E não era um avião qualquer. Tinha a bordo quase todo o governo português da altura (junho de 1975) e grande parte dos Conselheiros da Revolução, a caminho das cerimónias da independência de Moçambique. Uma parte da equipe com que estava a trabalhar ia viajar nele legitimamente. Entrámos a filmar algumas entrevistas (Otelo Saraiva de carvalho, Álvaro Cunhal, Francisco Pereira de Moura, Carlos Fabião) e quando soou o aviso para os passageiros ocuparem os seus lugares, podia ter ocupado um qualquer. Outro elemento da equipe que não era para ir, de nacionalidade belga, ficou. Eu saí do avião discretamente e sentei-me no carro, cá fora, à espera dele. Mas o avião partiu com ele, como poderia ter partido comigo. A realidade é que ainda era a PIDE portuguesa que controlava o aeroporto de Maputo, e eu não quis correr o risco de passar os dias que lá ficasse dentro de uma prisão africana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;2. Foi um agente da PSP que me abriu o carro fechado, com a chave na ignição, sem perguntas, nem desconfianças. Tinha chegado, tarde e más horas, ao saudoso cinema Império, para uma matinée. Com a pressa, fechei o carro sem tirar a chave, o que era possível em vários modelos, neste caso, um carocha. Saí do cinema já de noite e comecei a escarafunchar na janelinha da frente, a tentar uma coisa que nunca fizera e de que não tinha a mínima experiência. Quando o "creme Nivea" parou ali ao lado, pensei que me fossem multar por ter estacionado, para lá do passeio, quase no relvado da Alameda. Mas isto não parece ter admirado ninguém. Para mim, continua a ser motivo de espanto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339796551362661378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/ShrErAjTzAI/AAAAAAAAByo/pTWJ2R65T8U/s320/ramona_short.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;3. Em 2002, fui gravar um programa de televisão ao nordeste brasileiro, num resort da Praia das Fontes, a sul de Fortaleza, propiedade de um vizinho meu, aqui na Ericeira. Como é óbvio, fui com todas as despesas pagas pela produção. Mas, na semana que lá estive, não tive a ocasião de comprar sequer um maço de cigarros. Daí o meu espanto, ao voltar a Lisboa, por ter a mesma nota de 20 neuros que já lá estava à partida. Mas não foi a única viagem que fiz sem gastar um cêntimo. Aliás, acho que é a melhor forma de viajar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Não proibi, claro. Mas sugeri que certo deputado, muito presente nos tempos de antena de campanha eleitoral, deixasse de ser presença obrigatória. Eu gosto muito dele: é uma pessoa simpatiquíssima. Mas a verdade insofismável é que ele tinha uma péssima relação com a câmara: ficava tremendamente tenso, imóvel, e o suor escorria-lhe na testa, criando reflexos tremendos. Além de que fazia umas boquinhas a falar que distraíam qualquer espectador, perdendo-se assim o conteúdo do discurso: o pessoal ficava a comentar os trejeitos e os gafanhotos que lhe saltavam da boca, em vez de ouvir a mensagem. A sugestão foi bem aceite e deixei de o usar nos tempos de antena. Espero que ele não fique muito chateado comigo, se vier a ler isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Não vou contar os casos todos, seria muito chato. Mas é verdade que recebi 3 vezes voz de prisão, só estive uma trancafiado por umas horas, e fui seis vezes a tribunal, sempre por desobediência às regras ou à bófia. Fui sempre absolvido. Se bem que, da última vez, o delegado do ministério público recorreu da minha absolvição para a Relação. O espírito de porco tinha qualquer mala-pata e escreveu mais de 40 páginas de quesitos por causa de uma miserável (pseudo)infracção ao código da estrada. Haja paciência! O caso ficou mais complicado, e o meu advogado teve de trabalhar. Depois pediu-me para não repetir a brincadeira, e é verdade que não tornou a acontecer. Já lá vão uns anos.&lt;br /&gt;Isto sem falar das detenções no Governo Civil, e outra na antiga esquadra do Matadouro, ali às Picoas, no tempo do liceu. Mas isso eram outras guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Entrei, para jantar com uns amigos brasileiros, no Aleixo, no Porto. Foi no verão passado. Só havia duas mesas ocupadas, e numa delas estava o Mário Soares a jantar com um senhor de idade que sei quem é mas não me consigo lembrar do nome. Eu tinha estado, semanas antes, na Fundação, em conversa com ele por causa de uma série documental para a RTP. O homem tem uma excelente vista e melhor memória. Cumprimentou-me de longe. Quando saiu, passou pela nossa mesa e veio de mão estendida. Convencido de que ele se lembrava da minha cara, mas não saberia de onde, alinhavei uma apresentação patética. Mas ele sabia muito bem. Adorei a cara de espanto dos meus amigos: olha a importância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Fui estudar para a Bruxelas depois de ter feito o BAC, em 1968. O primeiro trabalho que os amiguinhos me arranjaram foi na copa do restaurante universitário, na ULB, a descarregar os restos das refeições dos tabuleiros usados. Ó trabalho de merda! Bota malcheiroso nisso. Não aguentei muito tempo. Depois, fui vigiar a loja da Associação de estudantes, para dissuadir os roubos. Também não tinha nada a ver comigo. Finalmente, encontrei no painel das mensagens uma proposta que me agradou: colorir banda desenhada. Lá fui integrar a equipe de Albert Weinberg, criador de Dan Cooper, o piloto de jactos franco-canadiano. Parecia uma equipe de cinema: o velho (ainda é vivo) criava a história e corrigia as feições das personagens principais; havia um desenhador para as personagens segundárias, outro para os veículos (carros, aviões, etc.), outro para as paisagens e cenários em geral, e eu para botar cor naquilo tudo. Sem esquecer o gajo dos "phylactères", que são as bolhas dos diálogos. Era trabalho escravo. Havia que produzir duas, ou mais, páginas de BD por semana, a serem publicadas na revista belga do Tintin (a original), e nunca havia mais do que uma de avanço. Era um sufoco. E estupidamente mal pago. Mas gostei da experiência, apesar das incompreensões culturais. Muitas tinham a ver com interpretações diferentes das mesmas coisas: a(s) cor(es) do mar e do céu não são as mesmas para um português ou para um belga. Também não interpretamos os ambientes da mesma forma. &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339800221060890450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 129px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/ShrIAnPi_1I/AAAAAAAAByw/WEbj6vJlMN0/s320/dan_cooper.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Tive a colecção toda do Tintin belga em que trabalhei. Mas ficou lá numa das minhas vidas passadas. Os albuns do Dan Cooper já não estão à venda. Alguns só no Ebay. Mas os novos donos publicaram uma edição integral em vários volumes. Folheei-os na FNAC á procura da "minha obra", e cheguei à conclusão que só "produzi" uma história completa, apesar de ter apanhado o fim da anterior e o princípio da seguinte. São elas, pela ordem: Le ciel de Norvège, terminada no número 44 (Outubro) de 1968, Les pilotes perdus, entre Fevereiro e Junho de 1969, e Appollo appelle Soyouz, de Julho ou Agosto de 1969 a Janeiro de 1970. Posso ter colorido uma das capas (# 10 - Março, ou # 46 - Novembro) da revista Tintin belga de 1969. Ou até as duas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;8. Não naufraguei, não senhor. Mas foi por uma unha negra. Apanhei um dos maiores cagaços da minha vida. Ía com a minha companheira num mar de senhoras, a descer o Sado a grande velocidade, em direcção ao Portinho da Arrábida. Já na barra, mesmo em frente do Outão, entrámos num corredor de vento (por isso se chama vento encanado) que começa a levantar ondas cada vez maiores. A certa altura tive de cortar o gaz e ir pianinho. O barco subia as ondas, cada vez mais cavadas, cavitava lá em cima, na crista, e depois caía, com um barulho tremendo, lá no fundo. Parecia que se ia partir todo. Era um casco de 17 pés e cabia inteirinho na onda. A Laura gritava, de punhos brancos como a cal de tanto se agarrar à amurada. Parecia um filme de terror. Eu, por simpatia e/ou cagaço, berrava também, com as mãos fincadas no volante. Não podia correr o risco da coluna do motor virar, porque me arriscava a atravessar o barco, e aí é que eram elas. Tinha de continuar de proa para as ondas.&lt;br /&gt;Isto durou "séculos". Ali bem perto, do lado dos cabeços de Troia, vários botes pescavam calmamante, fora daquela ondulação. Ao chegar à Figueirinha, consegui virar ligeiramente até ficar dentro da zona de protecção do esporão rochoso. Aí, sem sequer parar o barco, virei 180º e voltei a Setúbal, a favor da corrente. Ninguém me apanhava mais no mar, naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Em 1973, fui para Cannes com um colega da escola de cinema, em Bruxelas, que já era crítico encartado. Tinha preparado minimamente a viagem, pedindo a um amigo, que dirigia um semanariozito em Portugal, um cartão (falso) de colaborador e uma carta de apresentação. Como bons estudantes tesos, viajámos no comboio da noite que chega a Nice de madrugada. Chegado a Cannes, apresentei-me aos serviços de acreditação dirigidos pela Mme Fargette, que era um autêntico dragão. Claro que não "encontraram" a minha acreditação, já que ela não tinha sido solicitada. E mesmo que tivesse sido, não ma dariam. Havia 1500 jornalistas/repórteres acreditados. E mais uns mil a pedir para o serem. Enquanto esperei que me "resolvessem" a situação, vi pessoal de publicações famosas ser recambiado sem apelo nem agravo. Não levantei ondas, como fazem normalmente os franceses. Fiquei mudo e quedo. Foram-me dando convites para ir assistir às sessões oficiais, ou para ir comer a diversas recepções e cocktails. No fim do dia, desistiram de procurar. Como eu era o mais novo e foram com a minha cara, "assumiram" o erro e deram-me uma acreditação.&lt;br /&gt;Claro que trabalhei, publiquei e mandei-lhes os recortes. No ano seguinte, já fazia parte das listas. Desde esse dia, vou às coisas, porque o máximo que pode acontecer é levar uma nega. E essa está sempre garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos temos na vida momentos especiais, referências engraçadas e memórias várias que integram o imaginário colectivo. Uma delas é um comentário, de tom meio machista, que ficou na "cultura": "terá casado aos 15?", referindo-se a uma jovem mãe, normalmente como o milho. Era uma deixa de um anúncio de já não sei que sabonete (Palmolive?) que deveria ser gravado por já não sei que locutor (obrigado, Dr.Alzheimer) que faltou á sessão de gravação. O único macho ali disponível para dar a voz, era eu. E lá fiquei eu, para aquela curta posteridade, a dizer: "Três filhos? Terá casado aos 15?", que soou na RTP durante "séculos", e depois, durante muito tempo, na vida real. O machinho, no filme, não era eu. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-6279834797292300955?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/6279834797292300955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=6279834797292300955' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6279834797292300955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6279834797292300955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/05/ainda-verdade-da-mentira.html' title='Ainda a verdade da mentira'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/ShrErAjTzAI/AAAAAAAAByo/pTWJ2R65T8U/s72-c/ramona_short.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7394577853176833217</id><published>2009-05-24T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T17:58:23.446-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem do mal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogoesfera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pública'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ópio do povo'/><title type='text'>O ópio do povo e a imagem do mal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pondo fim a seis séculos de hesitações, Gutenberg juntou o papel criado na China, o tipo móvel usado na Coreia desde o século IX, e produziu a máquina que iria fazer entrar a humanidade na era moderna. Gutenberg tinha o que os chineses e coreanos não tinham: um alfabeto de 26 letras, o que facilitava imenso as coisas, e um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;best-seller&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;: a Bíblia da igreja católica romana. Foi este último facto que possibilitou que a “invenção” da tipografia se tornasse uma inovação. Com efeito, qualquer invenção que não desperte o interesse da indústria, que não tenha a possibilidade de se tornar rentável, justificando o investimento, arrisca-se a apodrecer nas gavetas do inventor, sem vir a ver a luz dia. Não foi Gutenberg que ficou rico com a “sua” invenção: os financiadores a quem recorreu foram mais gananciosos do que ele. Mas isso não é importante para a civilização ocidental. Importa é que centenas, e depois milhares de pessoas puderam ler, pela primeira vez, o mesmo texto, sem a intermediação de padres ou confessores, sem o beneplácito ou a autorização (ou chancela do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;autor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;) da santa madre igreja, sem os “erros” de tradução ou adaptação dos copistas, que garantiam, até aí, a difusão rara e cara, dos textos sagrados. E isso mudou tudo.&lt;br /&gt;Não é por acaso que a Igreja católica romana não gostou do invento: a autoridade dos seus representantes na Terra estava posta em causa. O poder já não se baseava no conhecimento dos textos, já que este corria o risco de se banalizar. Também não foi por acaso que foi instituído o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Index Librorum Prohibitorum&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  ("Índice dos Livros Proibidos" ou "Lista dos Livros Proibidos"), lista de publicações proibidas pela Igreja Católica, consideradas "perniciosas", e que continha, também, as regras da igreja relativamente a livros. Não podendo “silenciar” o progresso, o poder usava a sua influência moral para desacreditar os textos que poderiam miná-lo. Houve gente a morrer na fogueira (vide Giordano Bruno) por não se conformar; à pala dele, Index, cientistas, filósofos, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Vítor Hugo, foram silenciados e perseguidos. Pasme-se ou não, o Index só veio a desaparecer em 1966, com o papa Paulo VI. Já havia televisão, e tudo.&lt;br /&gt;É sabido que a divulgação da Bíblia, possibilitada pela tipografia, ajudou os defensores da Reforma protestante. O cisma provocado por luteranos e calvinistas minou o poder secular da igreja de Roma, e dividiu o mundo ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por acaso que evoquei a tipografia no limiar da era moderna: com a impressão fixaram-se textos que nunca o tinham sido, como constituições, regras jurídicas, pactos, delimitação de fronteiras... Isto é, as regras podiam, a partir daí, ser do conhecimento geral e o poder arbitrário ficava mais limitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não foi por acaso que evoquei a indústria: a inovação é, muitas vezes, ou mesmo quase todas as vezes, uma questão de investimento, com o lucro como objectivo. E investe quem tem os meios para o fazer, mormente, dinheiro. E isto também é verdade para os meios de comunicação, imprensa, rádio e televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação tornaram-se necessários quando a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Ágora&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; se tornou insuficiente para o “poder” se dirigir aos cidadãos. Candidatos, eleitos e leaders (ou líderes) de opinião, precisam de veicular as suas “mensagens” políticas (de pólis: cidade), culturais ou comerciais. A voz deles tem de chegar ao “povo”, aos eleitores, aos consumidores. E o “acaso” faz bem as coisas: o estado, com o "seu" espaço hertziano, e o poder económico, com os seus meios de produção, detêm os meios de comunicação e portanto, é por eles que falam os leaders (ou líderes) políticos, culturais, e comerciais. Imprensa, rádio e televisão são meios de comunicação de sentido único: fala quem pode, ouve quem deve, e a ordem está assegurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Jürgen Habermas (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;A Mudança Estrutural da Esfera Pública&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, 1962), duas esferas coexistem na sociedade: o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sistema&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; e o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mundo da vida&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. O &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;sistema&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; refere-se à “reprodução material”, regida pela lógica instrumental (adequação dos meios aos fins), incorporada nas relações hierárquicas (poder político) e de intercâmbio (economia). O &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;mundo da vida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; é a esfera de “reprodução simbólica”, da linguagem, das redes de significados que compõem determinada visão de mundo, sejam eles referentes aos factos objectivos, às normas sociais ou aos conteúdos subjectivos. Habermas produz o diagnóstico da colonização do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;mundo da vida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; pelo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;sistema&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; e da crescente instrumentalização desencadeada pela modernidade, sobretudo com o surgimento do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"direito positivo"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, que reserva o debate normativo a técnicos e especialistas: um século de imprensa, depois rádio, depois televisão, transformou os “consumidores” numa massa mais ou menos homogénea: todos, cada um no seu canto, ouvem o mesmo discurso; todos, cada um em sua casa, assistem ao mesmo espectáculo da política; todos, isolados mas unidos na fé, acreditam nas mesmas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cadê a opinião pública? Ora bem, não duvido que o público, cada um no seu cantinho, tenha a sua opinião acerca das coisas. Mas estas opiniões dispersas não têm como se juntar e constituir uma força homogénea já que, como vimos, o “público” não possui os meios para veicular e confrontar as SUAS opiniões. A “crítica” da opinião pública está feita (Pierre Bourdieu, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;L'opinion publique n'existe pas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, Noroit - 1971), não vou insistir no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Uma Contribuição para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (1844), Marx diz que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.&lt;/span&gt; A imagem ficou e transformou-se na metáfora do entorpecimento das “massas”.&lt;br /&gt;Durante muito tempo, parafraseando uma conhecida editora de discos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;His Master’s Voice&lt;/span&gt;, o poder, tanto político como económico, representava-se a si próprio, com o discurso da legitimidade contra os inimigos do “poder”, da “normalidade”, e da fé. Os perigos da “anormalidade” eram suficientes para manter o medo, a ansiedade e a dúvida que congregam e cimentam as solidariedades.&lt;br /&gt;Com a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, proclamou-se “O fim da história” (Francis Fukuyama, 1992). É uma linha de abordagem da história, de Platão a Nietzsche, passando por Kant e Hegel, destinada a revigorar a tese de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o coroamento da história da humanidade, ou seja, de que a humanidade teria atingido, no final do século XX, o ponto culminante da sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes. Com efeito, tendo este século visto, primeiro, a destruição do fascismo e, em seguida, do socialismo, que foi o grande adversário do capitalismo e do liberalismo no pós-guerra, o mundo teria assistido ao fim e ao descrédito dessas duas alternativas globais, restando apenas, actualmente, em oposição à proposta capitalista liberal, resíduos de nacionalismos, sem possibilidade de significarem um projecto para a humanidade, e o fundamentalismo islâmico, confinado ao Oriente e a países periféricos. Assim, com a derrocada do socialismo, Fukuyama conclui que a democracia liberal ocidental firmou-se como a solução final do governo humano, significando, nesse sentido, o "fim da história" da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que receios, ansiedades e dúvidas poderão continuar a manter a firmeza da “congregação”? Que novos “ópios do povo” poderão ser utilizados para garantir a firmeza dos “fiéis”? Para já, o medo do fundamentalismo islâmico, claro! Desde o 11 de Setembro que sabemos isso. Depois, o terror do desastre anunciado que o progresso está a provocar na natureza: são os fundamentos do conforto moderno que são postos em causa. Se não bastar, arranjam-se umas pandemias (gripes das aves, dos suínos), uns escândalos (Casa Pia) que mexem nos fundamentos das filosofias de brandos costumes; as agressões contra o santo dos santos que é o nosso corpo (tabagismo, colesterol, etc), o poder criativo não precisa de ter limites. Claro que tudo bem condimentado com muita verdade, já que, muita gente o sabe, só assim se produz uma grande mentira. E não é muito complicado, porque quem não sabe nada, acredita em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde é que a porca torce o rabo? Pois é: a tecnologia soltou-se, fugiu ao controle e voltou a pôr os fiéis a falar uns com os outros, coisa que não acontecia há muito tempo. Opiniões podem ser confrontadas, factos podem ser pesquisados, mentiras podem ser reveladas. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Instalou-se o caos na esfera pública&lt;/span&gt;, como diz Habermas (2006). O discurso já não está só reservado a técnicos e especialistas. Que grande nóia! Os fiéis já não estão controlados? E como todas as pandemias, isto pode generalizar-se! E agora? Como manter o discurso massificado? Colocando uma mordaça na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;net&lt;/span&gt;, claro! Colocando a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;internet&lt;/span&gt; no jogo dos meios de comunicação tradicionais, imprensa, rádio e televisão, com mediação dos conteúdos, acesso restrito a canais programados e "tempo de antena" reservado a “técnicos e especialistas” encartados e reconhecidos. A blogoesfera é a nova imagem do mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7394577853176833217?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7394577853176833217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7394577853176833217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7394577853176833217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7394577853176833217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/05/o-opio-do-povo-e-imagem-do-mal.html' title='O ópio do povo e a imagem do mal'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7503218832798540366</id><published>2009-03-14T09:59:00.000-07:00</published><updated>2009-03-14T10:32:02.256-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tuga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ânimo'/><title type='text'>Português dual</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:PT;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:100%;" &gt;&lt;span lang="PT"&gt;Ser português tem muito que se lhe diga. Tanto vivemos as vitórias da selecção, empoleirados aos pés do leão do Marquês de Pombal, roucos de tantos vivas, como caímos na mais lúgubre depressão quando o chefe olhou de lado, a morenaça da caixa do supermercado nem sorriu a uma graçola nossa, o rolamento da roda traseira direita começou a zoar, o cheque dos reembolsos do IRS tarda a chegar. Já aqui comentei o orgulho de ser tuga ao ver o que os patrícios fizeram no Brasil: os fortes do Amazonas, lá na pata que os pôs, na fronteira com a Bolívia e a Colômbia, cidades como Ouro Preto, Diamantina, as exportações que enriquecem o PIB brasileiro, como o coco, e os seu derivados, a cana e o açucar, os bois vindos da Índia, enfim, tudo com marca bem lusitana, de primeiros grandes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;box-movers&lt;/span&gt; mundiais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(0, 0, 0);font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Também com marca bem lusitana, como o nome indica, o trabalho da cientista Elvira Fortunato, que “inventou” os leds transparentes e o transistor de papel, que são autênticas revoluções, não só científicas, tecnológicas, mas também, civilizacionais. E que bom que ela tenha encontrado na Universidade Nova de Lisboa, um parceiro que lhe põe à disposição, todos os meios de que ela necessita para as pesquisas que leva a cabo. Brilhantemente. Não sei se todos entendemos bem do que se trata, mas tem a ver com a indústria da comunicação, que é quem lidera o progresso tecnológico. À escala do planeta. Os leds transparentes vão tornar obsoletos todos os suportes de imagem conhecidos: écrans de tv, manómetros analógicos ou digitais, etc... Em vez de se produzirem monitores de canhão de electrões, monitores de plasma ou de quarzo líquido, a imagem poderá formar-se em qualquer vidro, manga de plástico e outros materiais de produção (ainda) barata. O transístor de papel é uma revolução mais admirável ainda, já que vai lançar para o caixote do lixo da história, uma data de tecnologia, ainda bastante cara: as memórias de computador, as “pendrives”, livros e jornais, já que permite “armazenar” um romance como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Guerra e Paz&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;, ou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Os Irmãos Karamazov&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;, sem falar do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Visconde de Bragelonne&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;, numa só folha de papel reciclado; um jornal diário pode ser igual a uma página da internet, com imagens fixas, e em movimento, e muito mais... Coitado do Gutemberg! Levou seis séculos a inventar a tipografia, e, cinco séculos depois, lá vai tudo para o esgoto! É realmente brilhante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;O que não é brilhante é que, em Portugal, NINGUÉM se interessou por tudo isto. A Ferrari já está a equipar os seus carros com os pára-brisas recheados de leds transparentes, para que o condutor não tenha de baixar os olhos para o painel dos instrumentos; mas nós não somos todos jogadores de futebol da primeira linha para usufruirmos destas benesses. Azar. E, pior do que isso, li, num jornal de hoje, que são brasileiros que vão investir no transistor de papel. Ora porra! Quem foi o filósofo que disse que, depois do amor, a carne é triste?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SbvjtWtc2LI/AAAAAAAAA2w/xuQN8Ty52Rw/s1600-h/ser+portuga.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 289px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SbvjtWtc2LI/AAAAAAAAA2w/xuQN8Ty52Rw/s400/ser+portuga.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313090553743464626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Mas logo a seguir, vi uma notícia de primeira página, noutro jornal, com foto dos pneus e tudo, que conta que o Sócrates engordou 8 quilos! Haja saúde! O ânimo do tuga é uma verdadeira montanha russa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7503218832798540366?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7503218832798540366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7503218832798540366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7503218832798540366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7503218832798540366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/03/portugues-dual.html' title='Português dual'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SbvjtWtc2LI/AAAAAAAAA2w/xuQN8Ty52Rw/s72-c/ser+portuga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-5238421580794546312</id><published>2009-02-23T07:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T07:56:36.901-08:00</updated><title type='text'>A verdade da mentira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Acredito que um blog carregue muito de autobiográfico, e até acho impossível que isso não aconteça. No entanto, o exercício da biografia é algo de muito paradoxal. Quando nos revemos, no passado, nem que seja uma hora atrás, estamos a ver uma pessoa que já não é, numa situação que já passou. É praticamente impossível reconstruir uma realidade que já fugiu. Estamos, por isso, a rever uma construção: a que não tem, provavelmente, fotografias para o provar; e mesmo que tivesse, só contemplariam um único ângulo dessa realidade; que comporta cenários e figurantes de que não nos recordamos com a fidelidade indispensável; que faz parte de outro tempo, com outras verdades, outras éticas e outras morais. Não nos revemos à luz do que pensámos, na época, com outras motivações, impulsos e manias. A biografia é, portanto, um acto de ficção, uma "mentira", com uma reconstrução "moral" já que já vem carregada com um julgamento, com uma apreciação. Mas, como diz o mestre Wells, o "aldrabão" Orson, para contar uma boa mentira, é preciso envolvê-la em grandes doses de verdade. Só assim será credível. Tanto na forma, como no fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitando o desafio da Alexandra (Real Gana), aqui ficam 9 afirmações, das quais só 6 podem ser provadas. O exercício biográfico fica para as respostas. Um dia destes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Fui de avião, para outro país, sem bilhete, sem passaporte, nem muda de roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Estava eu a tentar forçar a janela do meu carro, estacionado no passeio, trancado com as chaves na ignição, quando pára outro ali ao lado. Saem dois senhores guardas... que me abriram o carro. Custou-me um grande obrigado. Sem perguntas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Noutra viagem, fui para o outro lado do mundo, por mais de uma semana, e regressei a Lisboa com a mesma, e única, nota de 20 euros que levava no bolso, à partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Proibi, e com efeitos vinculativos, um líder parlamentar (português) de aparecer na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Fui preso 3 vezes (e mais umas duas ameaças) por desobediência e resistência à autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Num restaurante do Porto, um ex-presidente da república dirigiu-se a mim para me cumprimentar efusivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Pintei (talvez seja mais, colori...) um álbum de banda desenhada, publicado durante 48 semanas, na revista do Tin-Tin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Naufraguei, a menos de 100 metros da costa, à vista de outros barcos, que pescavam paulatinamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. No meu primeiro Festival de Cannes (devia ter uns 21 anos), convenci os serviços de acreditação de que tinham perdido a minha (acreditação)... que nunca existiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-5238421580794546312?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/5238421580794546312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=5238421580794546312' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/5238421580794546312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/5238421580794546312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/02/verdade-da-mentira.html' title='A verdade da mentira'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-8484620305586018751</id><published>2009-01-23T13:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T13:39:38.452-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='especialista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bacalhau'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='queijo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vinho'/><title type='text'>Especialista instantâneo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Será natural que da nossa identidade faça parte alguma “expertise”, alguma coisa de que gostemos e conheçamos em profundidade? Já aqui escrevi que nós, portugueses, temos, em geral,  uma vaga ideia de tudo. Obviamente, nem que seja na nossa profissão, devemos ter um campo em que sejamos excelentes. Não? Ora vejamos: não esperamos que qualquer brasileiro saiba sambar? Que qualquer italiano saiba cozinhar pasta? Acho que isso seria o mesmo que esperar que qualquer português cantasse o fado. E acredito que em muitas latitudes esperem isso de nós. No Rio, exigem de mim que saiba cozinhar bacalhau e entenda de vinhos. Ora, nem uma nem outra coisa são verdade. Então, acho que tive de me tornar especialista. À pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culinária tem destas coisas, como a leitura ou o cinema: vai-se provando, e, se não andarmos completamente distraídos, as coisas acabam por entrar lá para o fundo da memória e constituem uma camada de conhecimentos de que nem suspeitamos a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bacalhau, no Rio, é “português”, mesmo que seja da Terra Nova ou da Noruega. Mas um português que se preze, gosta de bacalhau. Devemos ser dos únicos povos cujo prato nacional é importado. Mas fama é fama, e é muito mais complicado ter de explicar que já tive de comer bacalhau cozido com grão ao almoço de domingo, durante toda a minha infância (eu sei que é um exagero, mas é assim que eu o sinto), e que odeio aqueles fios persistente que se entalam entre os dentes. Também não digo “pá” em cada frase que profiro: o que faz de mim, aos olhos dos brasileiros, mais finlandês do que português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa que eu sei, e não preciso de ir ver ao Google, é que quem diz bacalhau, diz azeite: óleo extraído do fruto da oliveira, que, em português, outra particularidade, se diz azeitona, e não oliva: do árabe “al zeitun”, o fruto que dá o “al zeit”. Que também deu “aceite”, com que nuestros hermanos temperam a salada e enchem o cárter do carro. O que nem sequer está mal visto, já que convém usar nos carros óleo vegetal, porque não é explosivo. Daí eu tentar explicar aos brasileiros, como introdução à culinária portuguesa, que eles não vão querer ingerir óleo lubrificante, mistura da prensa da azeitona com óleos diversos do caroço e do bagaço: o azeite obtém-se na primeira prensa, e só assim é virgem. Da Terra Quente transmontana, ou do Alentejo. O melhor! Também é o mais caro nos supermercados do Rio, o que também é um argumento de peso para a burguesia carioca. Convém tecer umas loas, com ar desportivo, ao azeite cipriota: “dizem” que é do além. Nunca provei, mas também não há à venda no Rio. Num país em que mais de metade da população não paga impostos, o estado abate-se, que nem formiga em açucareiro, para taxar os produtos importados tão do gosto da classe média: os ricos que paguem a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque é que não há azeite brasileiro? Estranho, não é, num país em que os portugueses puseram todo o seu engenho... Pois é! Mas se eles tivessem plantado oliveiras no Brasil, a metrópole não poderia vender azeite à colónia. Nem vinho, aliás. Sem esquecer o queijo, o fumeiro, chouriço, paio, linguiça... Assim, dá para entender a racionalidade da colonização do Brasil: cana de açúcar, sim, trazida da China e testada intensivamente na Madeira. Há lá espaço para isso. Bem escrevia Pero Vaz de Caminha na carta a el-rei D.Manuel: “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela (na terra recém encontrada), ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!”. Além disso, ele gaba o arcaboiço dos nativos, bons para trabalhar a terra. Coitados: com a chegada das caravelas, passaram, de um dia para o outro, da idade da pedra à era do trabalho! Foi o fim do paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da cana, os portugueses levaram os coqueiros, testados em Cabo Verde. E o gado zebu, levado da India: tudo que não cabia em Portugal e transformou o Brasil no maior produtor/exportador do mundo (açúcar, copra, óleo de coco, carne...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao bacalhau, qualquer atrazado mental sabe que ele é bom é a boiar em azeite (português) a ferver. Depois de cozido em leite para tirar o excedente de sal, grelhado na chapa do lado da pele, eventualmente envolvido em papel de estanho para não secar, e depois metido no forno, com batatas a murro! E muito alho. Nada de complicado, mas de efeito garantido. Junta-se-lhe um nome impronunciável para qualquer brasileiro que se preze, “à lagareiro”, e temos especialista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialista em vinho, dá um bocado mais de trabalho. Vinho, começou há pouco tempo a produzir-se, no sul do Brasil. A casta escolhida foi a Touriga Nacional. Por ser resistente, dizem. Em tempos, só profissionais é que sabiam dessas coisas: castas. Os outros, bebiam. Com a chegada do vinho ao Novo Mundo, as castas tornaram-se moda, porque eles (lá no Novo Mundo) começaram pelo princípio: com uma só casta. Mas tinham de colocar vinho no mercado. Daí a popularidade dos Cabernet Sauvignon, dos Malbec e Merlot, consoante estamos na Califórnia, Argentina ou Chile. E os vinhos ficaram todos iguais. Todos? Não! Num cantinho da Europa, um pequeno povo resiste...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o vinho novo se caracteriza pela videira usada (entidade abstracta que confere uma identidade ao produto), o vinho português poderia ser uma “mistureba” para os brasileiros: como explicar-lhes que é feito com mistura de diversas castas? Só pelo gosto, produto de cultura milenar: argumento definitivo! Como o “terroir” dos franceses. Existe, e pronto. E confere aos nacionais uma autoridade indesmentível, mesmo que eles não saibam mais nada. Mas dá para diferenciar um tinto da península de Setúbal, do Alentejo ou do Douro; dá para impingir um Alvarinho ou um branco seco ribatejano. Como explicar um país tão pequeno com uma tamanha variedade de vinhos? Um mundo, comparado com o das monocastas. E, em terra de cegos, já dá para reinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil imaginar uma linha de exportação de produtos de primeira qualidade para a América do sul: queijo de Azeitão, Serpa ou da Serra, para quem está habituado a queijo de Minas, ou a imitação de Gorgonzola, é uma benção dos céus. Como fazer um arroz de pato sem chouriço e farinheira? Faz toda a diferença, para quem o tempera com azeite. Porventura espanhol...! E o cobre com “linguiça calabresa” que nem gordura tem para derreter, no forno, para dentro do arroz: mais parece salsicha fresca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe média brasileira não é diferente das outras: pela-se pelo que é estrangeiro, exótico. Como não deixar descascar o camarão gigante, nem corta-lhe a cabeça. Surpresa é grelhá-lo inteiro na chapa, bem pincelado, com um aiolizinho de se le chupar los dedos. E mais, e mais...&lt;br /&gt;Sem dúvida, gastronomia é cultura. E como tal, deve estar inculcada nos nossos cromossomas. Mesmo que o não saibamos, um dia, a necessidade e o bom senso podem trazer tudo à superfície. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-8484620305586018751?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/8484620305586018751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=8484620305586018751' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8484620305586018751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/8484620305586018751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/01/especialista-instantneo.html' title='Especialista instantâneo'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-6384378952776842160</id><published>2009-01-13T18:24:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T19:44:06.807-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='português'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mito fundador'/><title type='text'>Moralmente mestiços</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Nós, a Ocidente, têem-nos definido em função das fórmulas de sexuação. Charles Melman, em “A Identidade Histérica”, caracteriza a horda primitiva com um fundador (o Pai) não castrado e toda a sua prole, que passou pela castração. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;O lugar dos "mestres", por oposição aos "servidores", é autenticado pela referência ao fundador. Os que o ocupam legitimam a sua autoridade, mesmo não possuindo as qualidades requeridas para tal, desde uma autoridade fundadora, que procedeu à nomeação da linhagem. O acesso à linhagem dá-se através da passagem pela castração. A castração tem&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; a &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;sua orige&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;m&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; na cena da refeição tot&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;mica ou cena do parricídio, que supõe, nas origens do totemismo, a existência de um pai violento e ciumento que reserva para si todas as fêmeas (por isso incastrado, po&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;rque&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; não sofre nenhuma interdição). Esse pai todo-poderoso é quem dita as leis, cujas principais são: não matar o pai e não ter acesso a nenhuma das mulheres &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;que lhe&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; perten&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;çam&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;. Os filhos nutrem por esse pai um sentimento ambivalente: amam&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;-no&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;, respeitam&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;-no&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; e admiram&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;-no&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;, po&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;rque &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;assim obtêm protecção&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;; mas&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; também o odeiam &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;pela sua&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;intensa autoridade, com a qual rivalizam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;Conforme vão crescendo, vão sendo expulsos, na medida em que podem representar um perigo&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; para &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;o patriarca&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; tirano&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;. Os irmãos expulsos reúnem&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;‑&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;se, matam o pai e devoram &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;o &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;seu cadáver,&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; acabando, assim, com a &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;horda primitiva.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; Em &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;conseq&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;ência dis&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;t&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;o pai morto adquire um poder muito maior do que tivera &lt;st1:personname productid="em vida. Também" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em vida. Também" st="on"&gt;em vida. &lt;span style="" lang="PT"&gt;T&lt;/span&gt;ambém&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;se reforçam os&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; seus mandamentos, e ficam ainda mais ratificadas &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;as &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;suas leis, e é esse o ponto de partida das organizações sociais, das restrições morais e da religiosidade. A proibição funda&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;-se&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; na culpa dos filhos&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;após a morte do pai da horda primitiva, porque, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;ao&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; nível&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt; do&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt; inconsciente, a Lei &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;refere-se&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;, antes de mais nada, a uma instância idealizada; ou, melhor, a Lei é referida &lt;st1:personname productid="em seu Nome" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em seu Nome" st="on"&gt;em seu Nome&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; (Nome-do-Pai). A partir daí, es&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;t&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;a filiação, que impõe a castração (não ter acesso a todas as mulheres), é a operação que limita e ordena o desejo do sujeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="PT"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Está bem. Mas será que isso é mesmo verdade para nós, portugueses? Na sua busca da identidade brasileira, Gilberto Freyre vai catá-la no português, claro. Usemos, então, Freyre, como testemunha imparcial, para tentar entender o que é um português. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;Nós somos o que fazemos, e o sucesso do português no Brasil é explicado, segundo Freyre (&lt;i&gt;Casa Grande &amp;amp; Senzala)&lt;/i&gt;, pelo seu passado étnico, “de povo indefinido entre a Europa e a África”: a influência africana fervendo sob a europeia e dando um acre requeime à vida sexual, à alimentação, à religião.... um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos ao Cristianismo... Freyre cita Alexandre Herculano falando dos portugueses: “População indecisa no meio dos dois bandos de contendores (nazarenos e maometanos), meio cristã, meio sarracena, e que em ambos contava parentes, amigos, simpatias de crenças ou de costumes”. Há uma indecisão étnica e cultural entre a África e a Europa, bicontinentalidade que Freyre compara à bissexualidade no indivíduo. Em Portugal não há um tipo determinado, e é essa imprecisão que permite ao português reunir dentro de si tantos contrastes “impossíveis de se ajustarem num perfil mais definidamente gótico e europeu.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;Por outro lado, esse outro lugar, a colónia, onde vão estar reunidos, tanto os que não passaram pela castração, quanto aqueles em que a castração não está mais autenticada, caso do imigrante, segundo Melman, de nada adiantaria que, no seu país de origem, esse imigrante tivesse passado pela castração, pois, quando inserido numa cultura diferente, a castração deixaria de estar legitimada, o que o lançaria numa busca incessante de reconhecimento.&lt;br /&gt;Com relação a esta dualidade que Melman refere, é preciso acrescentar que o imigrante traz consigo, da sua terra de origem, os mandatos paternos, que são, porém, alterados e transformados na nova terra, por efeito da passagem para uma nova cultura. É diferente dizer que o imigrante vem sem filiação e dizer que essa filiação sofre transformações. Por que é que ele abandonaria totalmente a ordenação fálica na travessia do Atlântico? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Convivem no português as duas culturas, a europeia e a africana, a católica e a maometana. Além disso, na formação da nação portuguesa há a presença semita, “gente de uma mobilidade, de uma plasticidade, de uma adaptabilidade tanto social como física que facilmente se encontram no português navegador e cosmopolita do sec. XV”. Freyre fala em “miscibilidade”, capacidade para a miscigenação que haveria no português: “a miscibilidade, mais do que a mobilidade foi o processo pelo qual os portugueses compensaram a deficiência de volume humano para a colonização em larga escala e sobre áreas extensíssimas”.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;Contrariamente aos nórdicos, os portugueses mostraram aptidão para se adaptarem a regiões tropicais. Tudo isso fez com que triunfassem onde outros europeus fracassaram. E, com os casamentos com a mulher índia ou negra, formou-se uma população ainda mais adaptável ao clima tropical. Moralmente já eram mestiços e foi essa como que mestiçagem que lhes permitiu, na luta em que sucumbiam os fracos e tímidos, a fácil adaptação à vida colonial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Em “Casa-grande &amp;amp; Senzala”, os portugueses são verdadeiros heróis, que deslocaram a “base tropical da pura extracção de riqueza mineral, vegetal ou animal”, o ouro, a prata, a madeira, o âmbar, o marfim, ”para a de criação local de riqueza”. Ainda que isso só fosse possível á custa da “perversão do instinto económico”, que tem a ver com o trabalho escravo e que desviou o português da produção para a exploração. Surge a “colónia de plantação”, o colono a fixar-se na terra. Surge a grande lavoura escravocrata e o aproveitamento da gente nativa, não só como instrumento de trabalho, mas como elemento de formação da família. Para Freyre, isso marca uma diferença em relação à política adotada pelos espanhóis no México e no Peru, onde foram exterminadores e segregacionistas, meros exploradores de minas de extracção.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;Freyre louva os portugueses por se terem, de facto, instalado no Brasil. Mas louva, sobretudo, a ausência de um sistema rígido de administração, que teria sido uma das vantagens da colonização portuguesa. É a família e não o indivíduo ou o Estado o grande factor colonizador no Brasil. Daí constituir‑se no país a aristocracia colonial mais poderosa da América.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;O facto é que o Brasil se formou sem a preocupação com a pureza da raça. O que, para Gilberto Freyre, constitui toda a força do Brasil. A única exigência para ir para Brasil era professar a religião cristã. Só se fazia questão da saúde religiosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Para Sergio Buarque de Holanda (&lt;i&gt;Raízes do Brasil&lt;/i&gt;. São Paulo: Cia das Letras, 1995), também é significativo o facto do Brasil ter origem numa nação ibérica: Portugal, como a Espanha, a Rússia e países balcânicos, são territórios através dos quais a Europa se comunica com outros mundos. É na comparação com os outros países europeus que ressalta, na Península Ibérica, a “cultura da personalidade”. É no valor que atribuem à pessoa humana que, para Buarque de Holanda, os portugueses e espanhóis “encontram muito de sua originalidade”. Daí também a dificuldade em achar, nesses países, associações que impliquem solidariedade e ordenação entre esses povos: “em terra onde todos são barões não é possível acordo colectivo durável a não ser por uma força exterior respeitável e temida”. Os privilégios feudais nunca tiveram muita importância na Península Ibérica. Para Sergio Buarque, a “bagunça” brasileira não é de hoje: “os elementos anárquicos sempre frutificaram aqui....”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"   lang="UZ-CYR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Talvez não sejamos, portanto, tão devedores dos mitos fundadores ocidentais como nos têm querido fazer crer.&lt;/span&gt;&lt;span  lang="UZ-CYR" style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="UZ-CYR" style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:11;"  &gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;div style="" id="ftn2"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style=";font-family:N6;font-size:85%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;div style="" id="ftn2"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style=";font-family:N6;font-size:9;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;div style="" id="ftn2"&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style=";font-family:N6;font-size:9;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-6384378952776842160?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/6384378952776842160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=6384378952776842160' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6384378952776842160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6384378952776842160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/01/moralmente-mestios.html' title='Moralmente mestiços'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7890525472179990827</id><published>2009-01-08T15:29:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T15:38:55.642-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metáfora'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='elipse'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Autor'/><title type='text'>Impressionante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Escrever num blog não é muito diferente de meter uma mensagem numa garrafa e deitá-la ao mar para que alguém a encontre. Ninguém escreve para não ser lido. Mesmo quem esconde o diário na gaveta fechada à chave, tem, lá no fundo, a secreta esperança de que um dia lhe rebentem com a fechadura e lhe devassem as privacidades. Senão, porque escrevê-las? Nem às paredes confesso? Em letra de forma? Não acredito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blog tem um acordo prévio com os leitores. Como tudo o que se escreve. E filma, e canta. A primeira cláusula desse acordo é o nome do autor. Quem o conhece sabe do que ele é capaz, sabe os riscos que corre ao lê-lo, e que pode, até, tirar algum prazer do acto. É portanto uma questão de empatia, anterior, ou não, ao nascimento do blog.&lt;br /&gt;Outra cláusula será a qualidade do discurso de sensibilização dos afectos do leitor, não só no que se conta, como na forma de o fazer. Ninguém lê, vai ver um filme ou uma exposição de arte, ou ouve música, sem desejar ser mexido e remexido emocionalmente. Qualquer destas experiências transforma o leitor/espectador, que não pode ser o mesmo, no momento seguinte: qualquer nova incorporação põe em questão os equilíbrios anteriormente conquistados. E se assim não fôr, mais vale estar quieto. Tanto o autor, como o leitor/espectador.&lt;br /&gt;Lemos, vemos filmes, ouvimos música, para termos as experiências sensoriais que não podemos viver. Para isso, a obra tem de atingir o nosso olhar/ouvido com inesperado fulgor, como um raio que funde obra e espectador/leitor numa nova forma de estar na vida, com o sentido e valores necessários para nos permitir continuar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o mundo da palavra, onde nos movemos diariamente sem grande esforço, mas que nem por isso nos exige menos rigor: a escolha do verbo exacto, do sentido bem fomulado, da subtileza que dá conta da nuance, ou mesmo do óbvio que, por contraste, nos pode fazer rir. Porque vivemos uma realidade manipulada, mascarada, onde muitas coisas podem desaparecer na premência dos objectivos, na cegueira da falta de informação, o autor tem a função fundamental de nos fazer ver. E sem querer colocar aqui o manto diáfano da fantasia contra a nudez forte da verdade, o que se esconde e o que se revela são faces da mesma moeda: do que nos impressiona e pode impressionar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionar: deixar uma marca indelével. Comover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia até lhe estava a correr bem. Depois, o despertador tocou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivação, conflito, (re)solução: o que nos move, como nos debatemos para levar a água ao nosso moínho e como as coisas ficam, depois, sempre diferentes do que estavam. Se não mudarem, não vale a pena. Nem viver, nem contar. Tanto as nossas como as dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu de casa a bater com a porta. Desta, não volto, num fio de voz quebrada por mais uma discussão que começara à hora do jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elipse: omissão de uma ou mais palavras que se subentendem. Pisou no acelerador para que o ronco do motor abafasse qualquer veleidade de pensamento. Ignorou os semáforos da Prudente de Morais, e depois os da Visconde de Pirajá, ninguém anda na rua a esta hora, e chegou à Lagoa. O piso húmido poderia ser desmotivador, mas nem um farol à vista num raio de ... num raio anatómico (relativo à estrutura do nosso corpo; à escala humana).&lt;br /&gt;Eram tantas, as esperanças. Mas quando não se vestem as roupas adequadas e só se dizem as coisas erradas, antes de darmos por isso, já não dá para dizer o que foi a nossa vida, quais foram os nossos erros. Vai um carro ali à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metáfora: a parte pelo todo. Duas luzinhas vermelhas suspensas na noite, a meio metro do asfalto: um carro que circula à nossa frente. Que pena que não sejas para quem eu corro, mesmo que estejam paradas. Mesmo que estejam fora do eixo da via, mais vale levantar o pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro estava enfaixado numa árvore, com o radiador ainda fumegante a abraçar o tronco. Da árvore. O do condutor estava esmagado contra o volante e sabe-se lá até onde fora a coluna da direcção, dado o muito sangue empastado, ainda vivo, a reflectir a rara luz pública... E nada. Só o silvo da água quente a esguichar do radiador roto.&lt;br /&gt;Depois, o toque de um telemóvel, a luz do écran a brilhar, ali, no meio dos pés presos na lataria retorcida. Antes do cérebro perceber o que a mão fazia, carregou na tecla verde e encostou o aparelho ao ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor, desculpa. Volta para casa. Gosto muito de ti...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7890525472179990827?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7890525472179990827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7890525472179990827' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7890525472179990827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7890525472179990827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2009/01/impressionante.html' title='Impressionante'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-6689956051896008182</id><published>2008-12-26T10:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T11:36:14.059-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='português'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='criatividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conhecimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='empirismo'/><title type='text'>Saber das coisas</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu sei coisas. E sei antes de toda a gente. E o que não sei, vou descobrir.&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cate Blanchett, aliás Coronel Dra Irina Spalko, em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Com os meios à disposição, hoje em dia, não há desculpa para não se saber das coisas. Basta haver curiosidade. Quem não sabe das coisas, tem de acreditar em tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Eu acho que sempre soube, mas tardei a entender, que precisava de conhecer as minhas origens. Talvez por ter perdido o meu pai muito cedo. Para onde vou nunca me interessou muito. Mas de onde vim é um poço sem fundo de questões, umas mais complexas que outras. O Brasil, onde nunca me tinha interessado ir, foi uma enorme surpresa para mim. Eu pensava que o (pouco) que sabia me bastava. Engano profundo. Já o disse, e fiquei surpreendido por não estar só nessa crença, que é difícil saber o que é ser português sem passar umas temporadas no Brasil.&lt;br /&gt;A história do Brasil acompanha, na sua quase totalidade, a história de Portugal. Os primeiros escritos brasileiros são de autores portugueses e até há bem pouco tempo, qualquer emigrante que regressasse do Brasil à terrinha, era um "brasileiro".&lt;br /&gt;O português é fruto de múltiplas miscigenações. Mas quando as fronteiras europeias se definiram e fecharam, os portugueses foram continuar essa saga (a da miscigenação) para a América do sul.  Quem diz que o Brasil é a pátria da miscigenação nunca olhou para as origens de Portugal. A causa fundamental da mistura de raças no Brasil é só uma: o português.&lt;br /&gt;Parecendo politicamente correcto, muitos brasileiros criticam a colonização portuguesa e, até, numa tentativa de a desvalorizar, choram a efémera colonização holandesa lá no cantinho do nordeste. É compreensível. Os holandeses tentaram uma colonização corporativa, empresarial, com o lucro como único objectivo. Afinal, a Companhia das Índias Ocidentais de Guilherme de Nassau, era uma sociedade cotada na bolsa e o accionistas não eram beneméritos. Como bons protestantes, montaram uma gestão criteriosa, nas antípodas da gestão crioula, e não se deixaram contaminar por bebedeiras tropicais. O português é permeável a todas as contaminações. E se não for ele, é o filho dele, o neto ou o bisneto, ao contrário da fábula do lobo e do cordeiro. Como em Trás-os-Montes (para lá do Marão), mandam os que lá estão! Não terá sido por acaso que foram os crioulos, caboclos, índios (que os portugueses não chegariam lá a tempo) que empurraram os holandeses para o mar, de regresso a casa. Em nome da Coroa: preferiram os portugueses!&lt;br /&gt;Quem quiser entender a diferença entre a colonização feita por católicos e a de origem protestante, basta atentar nas diferenças das Américas, a do norte e a do sul. Ao católico era vedado o negócio, o agio, a busca do lucro. Isso era deixado para os judeus. O católico tem a congregação toda a vigiá-lo. O protestante está só perante o seu deus e só a ele presta contas.&lt;br /&gt;Júlio César, conquistador da Gália e da Ibéria, escreveu que os Lusitanos eram um povo que não sabia, nem se deixava governar. Esse legado está vivo no Brasil, muito bem retratado no Samba do Crioulo Doido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bode que deu,&lt;br /&gt;Vou te contar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao reler-me, dá a sensação que estou a glorificar o granel, a desbunda, numa palavra brasileira: a esculhambação. Acho que não é isso. Ser português é, muitas vezes, ter uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada. Claro que isto está a mudar. Estamos a ser colonizados, a grande velocidade, pelo método europeu, depois de termos sido contaminados pelo cinema e televisão norte americanos. Apesar de eu achar que não é possível conhecer tudo, acho que se conhecermos alguma coisa, podemos ter conhecimento de tudo.&lt;br /&gt;Ser português tem sido, sobretudo, cultivar o empírico contra a ditadura da rotina. Na falta do conhecimento, o português é criativo. E assim vamos nós, de ruptura em ruptura, já que qualquer novo conhecimento provoca desincorporações e novas integrações; admirados pelas descobertas que vamos fazendo, já que a programação não é uma arte portuguesa. Tudo bem: a perplexidade é um grande motor do conhecimento. Acho que vamos por outro caminho, mas acredito que chegaremos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo da Vinci escreveu que "o conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice." Não quero comentar isto. Só quero deixá-lo para digestão lenta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-6689956051896008182?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/6689956051896008182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=6689956051896008182' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6689956051896008182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/6689956051896008182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2008/12/saber-das-coisas.html' title='Saber das coisas'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7841724696549196908.post-7044430353805415391</id><published>2008-12-22T10:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:44:58.639-08:00</updated><title type='text'>Ave de Arribação</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:PT;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Já não sei quando é que percebi que era ave de arribação. Sem obrigação sazonal. Mas como fui dotado de pensamento e de capacidade de gerir algumas emoções, já fiz um ou dois ninhos. Já eram. Para sempre é uma unidade temporal dinâmica e a vida é curta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Elaborei, finalmente, essa minha característica identitária, quando comecei a invadir os blogs dos meus amigos. Que nem cuco. Podia fazer como os outros, concordo mil por cento, com emoticons... mas não: quando pego, pego mesmo, protejam-se da diarreia mental.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Este ninho que agora estreio, é uma espécie de pedido de desculpas. Aqui posso pôr a cara e o cu a jeito para estalos e chutos que daí vierem. E retribuir um pouco do abrigo de que tenho beneficiado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Como boa ave migratória, dou-me bem em qualquer latitude, fruto da educação cosmopolita que recebi nas Amoreiras, da facilidade de gostar de pessoas, ambientes e novidades, e da capacidade de adaptação que, acredito, é uma característica bem portuguesa. Ao contrário dos outros colonizadores, os portugueses, por carência ideológica, cultural e outras, misturaram-se genericamente com os nativos, onde quer que tenham arribado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;“Pedras Calcadas” vem da impossibilidade de usar cedilha nos URLs de gestão anglo-saxónica, já que eu queria chamar-lhe Pedras da Calçada. Estas e outras elucubrações surgiram a olhar para os 8kms de calçada “portuguesa” que se estendem ao longo das praias de Ipanema e Leblon (ida e volta) onde destilo as toxinas. Calcando-a. Calçada porque é empedrado, e portuguesa porque tenta imitar a sobre dita cuja. Tenta porque só se lhe assemelha de longe. Em cima dela, é fácil perceber que é feita à matroca, nas coxas, como lá se diz: esculhambada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SU_Z-IsQF6I/AAAAAAAAAok/2_c9VTOP-Bg/s1600-h/Lisboa_cal%C3%A7ada.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SU_Z-IsQF6I/AAAAAAAAAok/2_c9VTOP-Bg/s320/Lisboa_cal%C3%A7ada.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282680549437085602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;           &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Apesar de utilizarem a mesma pedra, e respectivas características, sobretudo a facilidade do corte, não se encontra na “pedra portuguesa” do Brasil, o mosaico da calçada portuguesa, em que cada pedra é cortada em função da forma daquelas em que se vai encostar, para se sustentarem umas ás outras. Ali, sem preocupação de corte, elas são “coladas” com cimento&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;, e depois admiram-se quando têm inundações nas ruas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Quero com isto dizer q&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;ue a “p&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;edra &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;portuguesa” brasileira não é uma&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt; arte portuguesa exportada. Nem se&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;quer é um legado colonial, já que a coisa surgiu entre nós em meados do século XIX, já o Brasil era um país independente. E também me incomoda que seja mal copiada, porque isso desvirtua um &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;património que também é meu. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E porque acredit&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;o, porque vi, que os &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;portugueses, e respectivos descendentes, deixaram uma obra notável no Brasil, que desmente todas as anedotas de portugueses que eles possam contar. Para mim, é só dor de cotovelo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Insisti nesta distinção porque os pensamentos, sendo como as cerejas, são muitas vez&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;es aleatórios e descosidos. Como a “pedra portuguesa” brasileira. Se fosse capaz de os costurar, que nem calceteiro português (sendo que a maior parte são cabo-verdianos) escreveria um livro, e não uma página virtual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7841724696549196908-7044430353805415391?l=pedracalcada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedracalcada.blogspot.com/feeds/7044430353805415391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7841724696549196908&amp;postID=7044430353805415391' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7044430353805415391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7841724696549196908/posts/default/7044430353805415391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedracalcada.blogspot.com/2008/12/ave-de-arribao.html' title='Ave de Arribação'/><author><name>ZPedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00236554999101745165</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SarnwHxUJ5I/AAAAAAAAAxE/FDT4HQHvGJc/S220/Zp_blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e8kIY2UEeHc/SU_Z-IsQF6I/AAAAAAAAAok/2_c9VTOP-Bg/s72-c/Lisboa_cal%C3%A7ada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry></feed>
